Diversão & arte - Teatro  
Infantil
O pequeno príncipe
Luana Piovani dá conta de boa adaptação do clássico de
Saint-Exupéry
Dirceu Alves Jr.
 Leia matéria com Luana Piovani
Divulgação
Tônia e Bicudo interpretam a professora e o burocrata em uma peça mais melancólica que inquietante
Não é difícil ficar sensibilizado com O Pequeno Príncipe. Várias gerações cresceram de olho no livro de Antoine Saint-Exupéry. Depois da bem-sucedida estréia como produtora de teatro infantil com Alice no País das Maravilhas (2003), Luana Piovani volta aos clássicos com uma montagem dirigida por João Falcão que enche os olhos, cativa quem se deixar cativar, mas peca ao ser mais pirotécnica que emotiva.

E isso não chega a ser problema. Criança gosta de ver ator voando e efeitos de impacto, coisas que Falcão adora. Luana, uma atriz que sofre para impor qualquer personagem sobre sua personalidade, dá conta do recado (apesar de nervosa na estréia). Surge delicada, humana como o príncipe. As cenas com Marcus Alvisi, o aviador, não só divertem como valorizam as palavras do escritor francês, que ainda parecem mais apreciadas pelos pais que pelos pequenos. Um dos momentos de maior entusiasmo da garotada é a entrada de Isabel Lobo como a raposa em uma cena simples e engraçada.

O Príncipe de Luana é um belo espetáculo e tem qualidades de sobra – bom elenco, belos cenários, trilha empolgante. Seu pecado, que deve ser corrigido, é uma frieza que não pode existir no teatro infantil. Criança precisa ser cativada pelo coração, e isso não é difícil na peça. É só
Luana relaxar, e Falcão valorizar mais seus atores que os efeitos. Príncipe de efeitos

Teatro Shopping Frei Caneca –
r. Frei Caneca, 569, São Paulo, tel. (11) 3472-2226. Até 29/10.