Saúde  
Cuidados com a merenda escolar
Com o programa Escola Saudável, médicos e professores vão investir na prevenção para combater a obesidade
infantil e juvenil
Patricia Médici Dualib*
Murillo Constantino
Patricia: 15% dos jovens estão acima do peso
A obesidade na infância e na adolescência é o problema nutricional que mais rapidamente cresce no mundo inteiro; mesmo em alguns países onde a desnutrição imperava (como a Índia e alguns países africanos) a obesidade infantil já é um problema de saúde pública. No Brasil, 15% dos nossos jovens estão acima do peso, sendo 5% obesos; estima-se um aumento de 240% da obesidade infantil, no nosso país, nos últimos 20 anos. Esse quadro alerta para uma série de complicações que a obesidade acarreta, tanto para a saúde atual da criança como para fator de risco para doenças crônicas do adulto (como diabetes mellitus, hipertensão, colesterol elevado).

Acredita-se que as mudanças do comportamento alimentar e os hábitos de vida sedentários atuando sobre genes de susceptibilidade da obesidade sejam o determinante principal do crescimento da obesidade no mundo. Como o tratamento da obesidade infantil é difícil, a nossa maior arma é a prevenção. A escola é a melhor oportunidade – já que é lá que a criança faz, pelo menos, uma refeição por dia – para se trabalhar a educação alimentar, aliada à prática de atividade física.

Em setembro de 2005, os ministérios da Educação e Saúde, junto com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a Associação Brasileira para Estudos da Obesidade e o Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição se reuniram em Brasília para assinar o projeto Escola Saudável. Em linhas gerais, o Escola Saudável pretende implementar, em todo o País, um programa de educação do lanche escolar e estimular a atividade física; o intuito é promover a melhoria da qualidade de vida do estudante, prevenindo a obesidade infantil e o erro alimentar. O trabalho envolve nutricionistas, pais, professores, crianças, donos de cantina e diretores das escolas. O programa foi dividido de acordo com as regiões geográficas, sendo nomeado para cada uma delas um coordenador. As escolas que fizerem parte do programa e que apresentarem os resultados esperados serão certificadas com a Placa
Escola Saudável.

Devemos lembrar que os pais são também responsáveis na educação alimentar de seus filhos na escola já que preparam o lanche ou dão o dinheiro para comprar na cantina. É importante que a oferta de alimentos seja sempre saudável e que os lanches tenham uma fonte de carboidrato (pães, biscoitos, cereais – os integrais são os melhores), proteína (queijos magros, frios magros, leite, iogurte) e vitaminas (frutas e sucos). O ideal é que a criança leve o lanche de casa porque muitas cantinas oferecem alimentos muito calóricos e pouco nutritivos, mas vale a pena liberar a cantina uma vez por semana (encorajando o consumo de salgados assados e de sucos naturais).

O combate à obesidade infantil terá um longo e difícil caminho a percorrer; o importante é a conscientização de que cada um pode fazer a sua parte para que a saúde seja literalmente um
direito do cidadão.

* Patricia Médici Dualib é endocrinologista pediátrica e médica do setor de Endocrinologia
da UNIFESP – EPM

 
Pílulas
 

» A Organização Mundial de Saúde detectou índices de obesidade infantil preocupantes: 155 milhões de jovens apresentam excesso de peso em todo o mundo, ou seja, 1 em cada 10 crianças é obesa

» No Brasil, 6,7 milhões de crianças têm excesso de peso

» O desenvolvimento das células adiposas na infância é determinante nos padrões de composição corporal do indivíduo adulto

» O tratamento da obesidade infantil baseia-se no conceito de boa alimentação; não se fazem restrições alimentares rígidas