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Música

O baticum tecno da rainha do axé
Daniela Mercury, em fase de ritmos eletrônicos, condena erotização infantil pela música e quer chegar aos 60 anos em forma, como Tina Turner

Ramiro Zwetsch

Kiko Cabral
Daniela Mercury minimiza as vaias que recebeu no Carnaval de Salvador: “Esperava um estranhamento maior do público”

Quando Daniela Mercury lançou Canto da Cidade, em 1991, nem ela poderia prever que estava dando o primeiro passo para a consagração da axé music. Depois, surgiram outros grupos e artistas, tornando o gênero um dos mais populares do País – dividindo as atenções e as maiores vendagens com o pagode e o sertanejo. Passados nove anos e mais três discos lançados, Daniela começa a esboçar uma renovação do axé (que ela prefere chamar de samba reggae). Há duas semanas, ela trouxe novidade para o Carnaval e o público baianos: cantou sobre um trio elétrico tecno – com as batidas eletrônicas de dois DJs convidados. A inovação causou estranhamento e Daniela, aos 34 anos, conheceu uma reação inédita em sua carreira de 20 anos de trios elétricos: a vaia. Em entrevista a Gente, ela fala da experiência, de como o tecno aparece em seu novo CD, Sol de Liberdade, e defende com unhas e dentes o estilo musical que popularizou.

Como recebeu as vaias no Carnaval de Salvador?
Eu estava na platéia quando João Gilberto foi vaiado e foi um desrespeito absurdo, inaceitável, foi uma vaia de bêbado, literalmente. Comigo, foi um minuto de adversidade para um trio completamente estranho, misturando tecno com axé. Eu vim de um universo musical brasileiríssimo, muito popular, e era lógico que as pessoas estranhassem.

Você esperava essa reação?
Foi até bem menor do que eu esperava, a maioria embarcou na minha loucura. Muita gente dançou o tempo inteiro e fez sinal de positivo. Em dois momentos distintos algumas pessoas começaram a vaiar. Eu reagi, olhei para eles e disse: “Mas meninos, vocês talvez não compreendam isso pois não é do universo de vocês. Seria lúcido vocês escutarem uma coisa diferente do que vocês ouvem aqui”. E as vaias viraram aplausos de imediato. Mas eles não são obrigados a gostar. Salvador não tem discotecas e o meu intuito era levar um elemento estranho.

Esse elemento eletrônico também está no disco?
Eu convidei o produtor Suba (falecido em novembro) e ele colocou um baixo eletrônico em “Céu da Liberdade”, canção que dá nome ao disco. Resultou num samba reggae para dançar em discoteca. Nem sei se vai tocar nas rádios, porque elas não têm essa coragem toda.

Por que não?

As rádios se repetem, tocam o que sabem que vai dar certo. Quero ver a hora das rádios mostrarem coragem. Há muitos radialistas que podem ser mais ousados, que têm conhecimento da MPB e podem fazer o cenário mudar. Mas eles só tocam o que o público já aprovou.

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