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Foco: Design

Mobiliário brasileiro
Paula Alzugaray

Cadeira Trípode (1947), de Tenreiro

Antes dele, as salas de jantar no Brasil faziam o estilo D. João V. Foi um artesão português, filho e neto de marceneiros, quem assoprou a poeira dos sóbrios móveis neoclássicos e criou um design moderno, tipicamente brasileiro. Joaquim Tenreiro (1906-1992) mudou-se para o Brasil aos 22 anos, mas, como poucos, absorveu as heranças artesanais da cultura brasileira. Criou objetos de leveza, simplicidade e ergonometria nunca vistas até então – como a Poltrona Leve (1942) e a Cadeira Trípode (1947) – e tornou-se o marco zero do design nacional. Enquanto a Pinacoteca do Estado de São Paulo nos apresenta este clássico do mobiliário brasileiro – com uma exposição até 16 de abril e o lançamento do livro Joaquim Tenreiro – O Mestre da Madeira (Edições Pinacoteca, 131 págs., R$ 35) – o Museu de Arte Moderna (MAM) abre as portas para o design contemporâneo. “Temos 50 obras no acervo que estão no limite entre arte e design. São trabalhos que remetem ao objeto de uso cotidiano, mas que são impossíveis de usar, como uma banheira em que não se pode tomar banho”, diz o curador Tadeu Chiarelli. “Procuramos, então, designers que também estivessem nesse lugar limítrofe.” Os irmãos Fernando e Humberto Campana adequaram-se perfeitamente à idéia, já que inauguraram em 1989 sua atuação no universo do design, com uma exposição intitulada Desconfortáveis. As cadeiras pontiagudas– de inspiração artística no dadaísmo e no surrealismo – deram origem a uma produção arrojada e reconhecida no exterior. Seus móveis infláveis – que serão produzidos este ano pelo MOMA de Nova York –, de papelão, metais, borracha e piaçava estarão em Entre o Design e a Arte: Irmãos Campana, a partir de quinta-feira 30.

Do cartaz à vinheta

O design na tevê: a identidade visual da Rede TV! pela Tempo Design

Há um século, é provável que o pintor francês Henri Toulouse-Lautrec tenha dividido uma mesa de bar com o sergipano Cândido de Faria. Assim como Lautrec, Faria se notabilizou pela produção de pôsteres para os cafés-concertos parisienses, mas se celebrizou mesmo ao criar o primeiro cartaz de cinema da história, em 1901. O cartaz para As Vítimas do Alcoolismo foi apenas o início de uma produção que hoje pode ser apreciada na exposição Cândido de Faria, O Mestre Pioneiro dos Cartazes, no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo, até 16 de abril. Especializações como a de Cândido de Faria são cada vez mais raras. Desde que os anos 60 inauguraram a era da comunicação de massa, os artistas gráficos passaram a chamar-se designers, incumbidos de projetar marcas que se desdobram em diversos produtos e mídias. Essa miscelânea que caracteriza o design gráfico está na V Bienal de Artes Gráficas, no Sesc Pompéia até 2 de abril. A mostra sinaliza o melhor da produção nacional em vários segmentos gráficos – de publicações a embalagens e projetos de ambientação. O avanço qualitativo do design de mídia eletrônica é destaque da mostra. “Mas a qualidade do web design da Bienal ainda é muito maior do que costumamos ver quando entramos na internet”, diz o curador e designer Ricardo Ohtake. Ao que tudo indica, grande parte dos empresários da web ainda não vêem o design como ferramenta para reter um internauta diante da tela. Por outro lado, o design está consagrado nos mercados editorial, fonográfico ou mesmo televisivo – como mostram as premiadas vinhetas da Rede Cultura e da Rede TV!. Mesmo que o tema da Bienal seja a identidade, o curador não vê nos trabalhos características propriamente brasileiras. “O estilo predominante é internacional”, diz Ohtake. O mesmo estilo e padrão internacionais do design brasileiro podem ser atestados na exposição dos trabalhos premiados pelo Art Directors Club de Nova York, na Escola Panamericana de Arte até 19 de abril. Este ano, na 78.a edição do Art Directors Annual Awards of New York, o Brasil recebeu 25 premiações – a maioria delas em direção de arte de campanhas publicitárias impressas –, o dobro do desempenho no ano passado.

 

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