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Arte

José Gurvich – Uma Canção à Vida
A preciosa obra do artista uruguaio merece atenta observação

Luiz Paulo Labriola

Ver um quadro reproduzido em álbum é o mesmo que vê-lo no museu? Segundo os especialistas, são experiências muito diferentes. O leigo com algum gosto por artes plásticas talvez concorde, mas muitas vezes não vê essas diferenças. A exposição do uruguaio José Gurvich (1927-1974) no Memorial da América Latina, em São Paulo, é uma excelente oportunidade para descobrir por que os especialistas têm um bocado de razão. Tal como uma chapa de raio x, que nos aproxima de órgãos invisíveis, as pinturas de Gurvich querem ser uma lente de aproximação da vida. Quanto mais atento for o olhar do espectador, mais nítida será a impressão de estar vendo algo que nunca viu nos rostos, corpos ou paisagens dos sonhos projetadas na psique. Gurvich não quer perder a visão do todo. Mas não deixa de lembrar que o todo é complexo, porque composto de partes imprevisíveis. É preciso então parar para olhá-las. E, explorando os detalhes dos quadros, explorar-se, descobrir-se. Porém, vistas a distância ou mesmo no precioso catálogo da mostra, as formas de Gurvich podem parecer apenas garranchos infantis. Seu Homem Construído em Espiral mostra o mosaico da essência humana. As imagens de seu Homem Astral Concêntrico expõem a geometria do psiquismo. Já o Homem Astral em Cores Primárias revela o quanto a existência do homem na modernidade se confunde com a vida nas cidades. Condensadas em simbolismo abundante, suas imagens do cosmo tentam indicar que há sempre alguma ordem no caos que nos cerca. Construído Livre mostra por que, segundo uma certa tradição oriental, somos o que consumimos. Universo de Imagens em Collage é um pouco da colagem de que é feita o universo. Mas tudo isso exige do visitante a vertiginosa paciência do olhar, a percepção de que as composições de Gurvich abrem portas, revelam caminhos, o tempo todo. Em muitos quadros, a imagem do relógio: o tempo parado para que se veja aquilo que o tempo em movimento não permite ver. Em outros, a desesperada busca de figuração desse mesmo movimento. Nas pinturas em relevo, uma rica transição do pictórico para o escultórico, que desperta no espectador o desejo de tocar o que é intocável, mas sempre visível. Ver Gurvich é compor, ou decompor, o universo. É ver de perto. O mundo visto de dentro Até 9/4 – Memorial da América Latina – av. Auro Soares de Moura Andrade, 664 – São Paulo

Copyright 1996/2000 Editora Três

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