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A modelo russa Eugênia K. brinca de dar um banho no amigo Geová Rodrigues, enquanto posa com vestido confeccionado com retalhos de renda e brocado
pelo estilista
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Carreira
Do lixo ao luxo

Nascido em Barcelona, Rio Grande do Norte, Geová Rodrigues faz sucesso em Nova York criando peças com retalhos de grife recolhidos do lixo, que vão parar no guarda-roupa de famosas como Rachel Weisz e Gisele Bündchen
texto: Bianca Zaramella
foto: Claudio Gatti
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O brasileiro Geová Rodrigues encontrou no lixo a chave para fazer sucesso na América. Nascido em Barcelona, interior do Rio Grande do Norte, ele foi para Nova York há 15 anos tentar a sorte como artista plástico. Virou estilista quando começou a revirar as lixeiras da 7a Avenida, em Manhattan, onde se concentram os ateliês de grifes, como Calvin Klein e Anna Sui, em busca de retalhos. “Ia sempre vasculhar. Encontrava seda, crepe e chifom exclusivos das marcas, que eram colocados em caixas enormes. Abria e selecionava os melhores pedaços”, conta ele, que voltava com os recortes de tecido para o ateliê, espalhava pelo chão e começava a montar vestidos nos manequins. Suas criações hoje vestem estrelas, como Rachel Weisz, que concorre ao Oscar por O Jardineiro Fiel, de Fernando Meirelles. No final do ano passado, a atriz apareceu no Geová Ateliê, situado no East Village. “Ela estava linda e levou uma bolsa e um top”, recorda-se o estilista, que atende pessoalmente à clientela.

Gisele Bündchen, Luana Piovani e Fernanda Tavares também descobriram o talento do conterrâneo, um dos ícones da Descontruction Couture, movimento de desmontar e remontar roupas. “Acho o trabalho do Geová fantástico. Seus vestidos são lindos e deixam a mulher muito sexy”, afirma Eugênia K., modelo russa que esteve no Brasil para a SP Fashion Week, quando posou com uma criação do amigo. Um vestido assinado por Geová Rodrigues custa em média US$ 1.800.

A originalidade do trabalho com sobras de pano chamou a atenção de Anna Levak, editora de moda da revista Happer’s Bazzar, que publicou uma reportagem intitulada “Artista brasileiro lança sua moda em Nova York”. “Ela deu várias fotos das minhas roupas. Foi aí que tudo começou.” Aos 33 anos, Geová já participou de oito edições da semana de moda de Nova York. Seu diferencial é a exclusividade das peças e o acabamento de alta-costura. Ele hoje não precisa revirar lixo. “Agora, quando chego, os porteiros me mandam subir.
Muitas grifes separam os retalhos antes de jogar fora para que eu
possa escolher.”

Longe do Brasil desde 1988, quando se mudou para Paris, ele só voltou à terra natal este ano. “Acabei de conseguir o green card. Antes não podia sair dos Estados Unidos”, explica Geová. Na última semana de janeiro, ele foi visitar a família no Rio Grande do Norte. Bebeu nas raízes nordestinas, em busca de inspiração. “Gosto da textura das frutas do Nordeste, como sirigüela e pitomba”, diz ele, que também pretende criar peças inspiradas nos cipós das cercas de galinheiro. Só não reencontrou a mãe, que morreu em 2001. Foi com dona Maria Genilda, mãe de treze filhos, que ele, o quinto da fila, aprendeu a arte de reciclar roupas velhas. “A roupa tinha de passar de um irmão para o outro, era o único jeito”, recorda-se Geová, que fez da escassez
um luxo.