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| Schlee e os três desenhos criados para
o concurso da nova camisa: “Durante muito tempo não dei
bola para isso. Era uma coisa secundária, ou terciária,
na minha vida”, diz |
O escritor gaúcho Aldyr Schlee publicou 20 livros, seis
deles de contos. Foi planejador gráfico do jornal Última
Hora, repórter e redator. Em Pelotas, ajudou a fundar
a faculdade de jornalismo e deu aulas por 30 anos. Mas de sua
história consta uma invenção identificada
em qualquer canto do mundo e que faz borbulhar de orgulho a
torcida brasileira: Aldyr é o feliz criador do uniforme
verde e amarelo da Seleção Brasileira de Futebol.
“Durante muito tempo não dei bola para isso. Era
uma coisa secundária, ou terciária, na minha vida”,
minimiza ele, aos 71 anos.
Há uma explicação: Aldyr nasceu em
Jaguarão (RS) a 200 m do Uruguai e 600 km de Porto
Alegre. Sua formação como torcedor foi baseada
no futebol platino. “Toda segunda chegavam em casa jornais
de Buenos Aires e Montevidéu, com os craques, os jogos.”
Ou seja: o criador da camisa canarinho torce pelo Uruguai!
“Odiamos a mania dele de torcer para o Uruguai!”,
diz Marlene, sua esposa.
Há dois anos, ele esteve com representantes da Nike,
fabricante do uniforme da Seleção, que queriam
ouvir suas considerações sobre o design da camiseta.
“O pior é que ele é igual ao da Coréia,
da Holanda, de Portugal. Não é possível
que o futebol brasileiro não exija do seu fornecedor
fidelidade maior à identidade nacional.”
Em 1953, Aldyr venceu 201 candidatos no concurso do jornal
carioca Correio da Manhã para a
escolha do novo uniforme da Seleção –
até ali o Brasil vestia camiseta, calção
e meião brancos, com detalhes azuis no punho e na gola.
Havia uma exigência: os desenhos tinham de ter as quatro
cores da bandeira nacional.
Aldyr, que era desenhista e caricaturista – jornais
de Pelotas publicavam gols de jogos desenhados por ele –,
passou três dias debruçado numa mesa. No correr
dos pincéis, lembrou-se de uma partida que assistira
no Rio entre a Portuguesa carioca e Botafogo ou Fluminense
– ele não se recorda. “A Portuguesa jogou
de calção vermelho. Fiquei impressionado. Era
um escândalo para a época!”, diz ele, que
passou a ousar nas cores.
Entre rabiscos de calções verde, amarelo e
azul, pensou: “O que representa a nacionalidade é
o verde e amarelo”. Fez então a camiseta amarela
com detalhes em verde, o calção azul e o meião
branco. Nascia a Seleção Canarinho, assim apelidada
por um radialista. Após o concurso, a então
Confederação Brasileira de Desportos (CBD),
oficializou o uniforme. Como prêmio, Aldyr, aos 18 anos,
ganhou o equivalente a R$ 20 mil e um estágio no Correio
da Manhã.
Aldyr mora num sítio em Capão do Leão,
município próximo de Pelotas. Tem três
filhos, dois netos e um passatempo: futebol de botão.
Possui três mesas em casa, mas aos sábados sai
para jogar futebol – de botão! – com amigos.
Os botões têm caricaturas de jogadores do Cruzeiro
de Porto Alegre. E na Copa do Mundo? Irá torcer para
o Brasil, já que o Uruguai não participará?
“É, tchê! Não posso desagradar a
família!”, diz Aldyr. 
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