Diversão & arte - Livros  
Fotos: Divulgação

André Laurentino: sotaque sem regionalismo em excesso em
A Paixão de Amâncio Amaro

Fotos: Divulgação
• • •

Leia também

Cinema
Exposição
Gastronomia
Internet
Música
Teatro
Televisão
• • •
Romance
A Paixão de Amâncio Amaro
O pernambucano André Laurentino faz bela estréia, com palavras concisas e ternura
Flávia Guerra

Um menino que tem mais de 50 sobrenomes e não consegue decorá-los. Uma menina que inveja a própria beleza, um homem que vive disfarçado de tudo que não pode ser. Esses são os personagens centrais de A Paixão de Amâncio Amaro (Agir, 176 págs., R$ 39), romance de estréia do pernambucano André Laurentino. Cada um dos personagens tem diante de si a velha pedra no caminho. Cada um, com sua rudeza, sua delicadeza, sua vida severina, suas belezas, tem de descobrir quem realmente é. O garoto é Amâncio Amaro, que não entende por que é o alvo de um amor sufocante da mãe e de um desprezo cortante do pai. A garota é Culadinha, que tem os olhos trocados e vive trancada no banheiro, esperando supostamente as regras. O homem é José Aurino Curió, o malandro que de tão apaixonado pelo tal pássaro acabou herdando a alcunha.

Laurentino se esmera em sua prosa, de certa forma pernambucana, mas sem cair em expressões regionalistas do interior do Estado, onde se passa a trama e que também é a terra de seus pais, para onde viajou em busca de inspiração e de pazes com o passado. Conseguiu muito mais. Retrata com ternura e alegria, porém sem perder a tristeza e a força da dureza de palavras concisas, os temores que vivem dentro de todo homem. Tenha ele quantos nomes tiver. Personagens à procura de
si mesmos