Diversão & arte - Exposição  
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Lygia Clark
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“O Eu e o Tu” (1967), da série Roupa-Corpo-Roupa, está
na Pinacoteca

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Arte contemporânea
Lygia Clark – Do Objeto ao Acontecimento
Exposição ativa a memória dos 26 anos de investigações corporais da artista carioca
Paula Alzugaray
Divulgação
“Diálogo (Óculos)”, de 1966: objetos de Lygia Clark são expostos em museus do mundo todo
Artista neoconcreta, terapeuta, feiticeira, anti-artista. Entidade mutante, Lygia Clark (1920-1988) ficou conhecida sob diversas formas. Após uma série de descobertas ao longo da década de 1960, ela própria deixou de se considerar artista e passou a se autodefinir como “pesquisadora do corpo”. O momento da grande virada deu-se em 1966. Depois de um acidente de carro, Lygia recebeu recomendação de colocar sobre o pulso quebrado um saquinho de plástico fechado com um elástico. Um dia, distraída, soprou dentro do saco e teve a sensação de criar “uma coisa viva”. Nascia ali o primeiro de uma inesgotável série de “objetos relacionais”, criados para reativar as memórias do corpo e hoje compilados na imperdível exposição Lygia Clark – Do Objeto ao Acontecimento: Nós Somos o Molde, a Vocês Cabe o Sopro, na Pinacoteca do Estado, em São Paulo.

Com curadoria da psicanalista Suely Rolnik e de Corinne Diserens, diretora do Musée des Beaux-Arts de Nantes, na França (onde a mostra esteve, com muito sucesso, entre outubro e dezembro de 2005), a exposição representa um marco na análise da obra de Lygia Clark. Sua particularidade é traduzir para o visitante as sensações envolvidas na estética relacional desenvolvida por Clark. Ou seja, além de apresentar 138 objetos fascinantes – em suas versões originais e cópias, para serem manuseadas e vestidas –, uma instalação e dois filmes sobre a artista, a mostra traz depoimentos de 33 “pacientes” das sessões de Estruturação do Self, desenvolvidas por Clark, entre 1976 e 1978.

Se, para o músico Jards Macalé, a experiência foi importante para sua “saúde mental, física e estética”, para o crítico de arte Paulo Venâncio
as sessões levaram o afeto brasileiro para o campo da experiência artística, mas tiveram, para ele, um resultado terapêutico “desastroso”. Já Caetano Veloso conta que escreveu a letra de “If You Hold a Stone”, pensando nas pedras que rolavam no corpo dos usuários da obra de Lygia. Arquivo vivo

Pinacoteca do Estado –
pça. da Luz, 2, São Paulo,
tel. (11) 3229-9844. Até 26/3.