 |
| Bibi
e Miguel Proença: parceria concilia obras conhecidas
com relíquias esquecidas |
Atriz que sempre aliou grande carga dramática
a musicais como Gota D’Água (1975)
e Piaf (1983), Bibi Ferreira é intérprete
moldada para letras teatrais como as dos cancioneiros
de Amália Rodrigues, Chico Buarque e Edith Piaf,
cujas obras já foram entoadas por ela em espetáculos
e discos. Gravado com o pianista erudito Miguel Proença,
Tango, o novo CD da artista, se enquadra nessa
vertente dramática e soa coerente com a trajetória
da intérprete. Até porque, filha de mãe
espanhola, Bibi aprendeu a falar castelhano antes do
português.
Tango tira o mofo com que normalmente o
ritmo é apresentado aos brasileiros. A produtora
Olivia Hime convocou um jovem músico –
Ignacio Varchausky, líder da moderna orquestra
argentina El Arranque – para fazer a direção
musical do disco. Obviamente calcado nas interpretações
de Bibi, embora Proença não se limite
ao papel de mero acompanhante da artista, o álbum
prima por conciliar no repertório clássicos
do gênero (“Caminito”, “Mano
a Mano” e “Por una Cabeza”) com
relíquias esquecidas até pelo público
argentino. São os casos de “Pequeña”
(1949), tango impregnado de lirismo realçado
pela voz de Bibi, e de “Mi Tango Triste”
(1946), uma daquelas peças densas do gênero
que fazem a
alegria de qualquer cantora dramática. Como
Bibi Ferreira.
No compasso dramático
|