Entrevista  
Ele é pai de duas jovens, dos casamentos com as atrizes Mônica Torres e Renée de Vielmond: “Elas sempre falaram dos namorados comigo”, diz Wilker
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José Wilker
‘‘Minha vida de marido é ótima’’
No auge aos 40 anos de carreira, o ator lembra que passou fome e dormiu em banco de ônibus para ser artista e revela que ele e Guilhermina Guinle pensam em ter filhos
texto: Mariana Kalil
fotos: alexandre sant'anna
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Para o autor de novelas Benedito Ruy Barbosa, José Wilker é um dos atores mais versáteis da tevê. Já foi gay, galã, vilão, rebelde e reacionário. O sucesso do bicheiro Giovanni Improtta da novela Senhora do Destino e a escolha para personificar o ex-presidente Juscelino Kubitschek da minissérie JK são dois recentes exemplos que fortalecem a tese do escritor. Nascido em Juazeiro do Norte há 58 anos, Wilker poderia facilmente tomar emprestada a célebre frase de Júlio César: veio para o Rio de Janeiro, viu a realidade e venceu na profissão.

Wilker divide as 24 horas do dia entre o ofício de ator, as responsabilidades como diretor-presidente da RioFilme e os comentários sobre cinema para uma rádio carioca. Fala com conhecimento de causa. É um cinéfilo inveterado. Possui uma coleção de 5 mil DVDs – já assistiu a todos – e outras centenas de livros sobre a cinematografia brasileira e mundial na espaçosa casa no Jardim Botânico que divide com a terceira mulher, a atriz Guilhermina Guinle, 27 anos mais jovem. Foi com um maço de Marlboro e um resplandecente par de tênis amarelo que ele recebeu Gente para garantir que só faz aquilo que lhe dá prazer.

Você diz que nunca pretendeu montar sua carreira em função dos papéis, mas acumula personagens memoráveis, como o Vadinho, de Dona Flor e Seus Dois Maridos, Roque Santeiro, o bicheiro Giovanni Improta e agora Juscelino Kubitschek. Você é um ator de sorte?
Admiro os atores que almejam interpretar esse ou aquele personagem. Nunca tive esse tipo de aspiração. Os personagens sempre surgiram para mim. O único movimento dos últimos 20 anos que fiz em busca de um personagem aconteceu há três semanas. Liguei para o Aguinaldo Silva para comprar os direitos do livro Prendam Giovanni Improta para o cinema. Foi minha primeira atitude nesse sentido.

Você recusa muitos papéis?
Muitos. Recuso porque no ato de ler percebo quando sou e quando não sou qualificado para o papel. É uma intuição. Posso contar nos dedos os personagens que fiz e não gostei – e esses eu nego que tenha feito.

Quais são?
Eu nego! (risos)

Como se preparou para interpretar JK?
Ouvi discursos e conversei com algumas pessoas. Muita gente me procurou para contar sobre ele, sobre sua forma de andar e gesticular. Li um comentário tolo em um jornal dizendo que eu não estava parecido com o JK e sim comigo. Que bom! (risos). Que felicidade! Informações sobre JK me servem como material de trabalho. E só. Não dá para, enquanto represento, ficar pensando: “Agora é o momento de fazer aquele gesto que ele fazia”. Se esses gestos não são orgânicos, aparecem como roupa de costura malfeita.

Você disse que ser celebridade interessa mais do que ter competência para estar na tevê. Há muito espaço para belezas sem talento?
Há e não há. Veja a Fernanda Montenegro. Enquanto viveu e trabalhou seus 60 anos de carreira, as outras carreiras de pessoas famosas pelo simples fato de saírem em revistas já acabaram. Essa realidade das celebridades é bem-vinda e necessária, mas é fogo de palha. Não tenho nada contra. Só não quero ficar posando ao lado.

Como vive a dois?
Bem. Eu e Guilhermina acabamos de tirar um mês de férias. Fomos para o deserto do Atacama, no Chile, Machu Pichu e Cuzco, no Peru, e Nova York. Em casa, fazemos ótimas programações. Minha vida de marido é ótima. A gente se divide bem. O convívio é muito legal.

Como se sustenta um relação sólida em um meio profissional onde o troca-troca de casais é tão grande?
Eu respeito muito a pessoa com quem eu convivo. A gente respeita muito o espaço um do outro, se admira muito. A gente acredita e duvida. Se estimula e se provoca. Não vejo outro caminho para uma
boa relação.

Você tem quase o dobro da idade dela. Mexe com a vaidade ser casado com uma mulher mais jovem?
Essa é uma pergunta que as pessoas fazem e que a gente nunca se fez. Nunca nos preocupamos com isso. Na verdade, talvez eu até devesse me preocupar, mas não me preocupo, em absoluto. De tanto ouvirmos as pessoas questionarem, uma vez conversamos sobre o assunto, mas foi brincando e morrendo de rir. A experiência de vida da Guilhermina proporcionou a ela uma maturidade que é muito útil para mim. Eu aprendo muito com ela. Da mesma forma, algumas coisas que eu aprendi por já ter vivido um pouco mais também são úteis para ela.

Estar no terceiro casamento com uma atriz é coincidência?
Onde eu iria arranjar outro casamento? Entre os médicos? (risos). Não sei onde eu iria arranjar alguém para casar... Entre os atletas? Eu convivo no meio artístico e sou muito caseiro. Não gosto de oba-oba.