Reportagens  
 Deixe aqui o seu comentário
 Envie esta matéria para um amigo
Cinema
A voz do leão

Ao dublar o leão Aslan do filme As Crônicas de Nárnia, o ator Paulo Goulart relembra o início da carreira, quando fazia novelas ao vivo na Rádio Tupi, e fala de seu personagem na minissérie JK
texto: Claudia Jordão
foto: CLAUDIO GATTI
Ele acha o momento político oportuno para a minissérie: “É uma boa hora para se tentar resgatar certos valores”, avalia
Em 1951, o ator Paulo Goulart estreava no cargo de locutor de rádio coadjuvante na Rádio Tupi. Foi lá que começou a fazer novelas ao vivo, para mais tarde ir para o teatro e posteriormente descobrir a tevê. Mais de cinqüenta anos se passaram e o currículo do ator soma 56 peças, cerca de 40 novelas ou séries de tevê e 18 filmes. Porém, talvez nenhum trabalho tenha sido tão semelhante àquele da Rádio Tupi quanto um de seus mais recentes: a dublagem do leão Aslan do filme As Crônicas de Nárnia – O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, que está em cartaz em todo o Brasil.

Paulo, 72 anos, emprestou sua voz a um leão quase humano que luta para proteger seu mundo de uma feiticeira do mal. “Me faz lembrar o início da minha carreira, quando fiz alguma coisa de dublagem. Foi em um filme muito antigo, chamado o Comprador de Fazendas”, lembra Paulo. Apesar da pouca experiência na área, o ator tirou de letra o desafio. “Gravamos em duas horas. Quando você acerta o ponto não precisa ficar rebuscando demais”, diz.

Trabalho duro mesmo, o ator vem tendo para dar vida a outro personagem. Ele interpreta o engenheiro e político Israel Pinheiro na minissérie global JK. Paulo deixou o bigode crescer – ele só faz isso quando o personagem exige – e estudou sobre a vida de Israel, um dos homens fortes do presidente Juscelino Kubitschek. “Ele era muito preparado e teve uma história muito curiosa. Estudou nos Estados Unidos e na França e renunciou ao mandato de deputado federal para administrar a construção de Brasília”, conta Paulo, que considera a exibição da série apropriada para o momento de crise política que o País atravessa. “É uma boa hora para se tentar resgatar certos valores”, avalia.

Com a atribulada vida profissional, Paulo tem de se esforçar para combinar sua agenda com a da mulher, a atriz Nicette Bruno, que está no ar na novela Alma Gêmea, gravada no Rio, e em cena, em São Paulo, na peça Quarta-Feira sem Falta Lá em Casa. Casados há 51 anos, eles mantêm casas nas duas cidades e se desdobram para curtir juntos os momentos de folga e manter o clima de romance. Sempre que podem, vão ao cinema, compram flores para o outro e saem para jantar a dois. “Sou um homem que mora em duas cidades com a mesma mulher”, brinca Paulo, que conheceu Nicette na coxia do teatro, durante os ensaios da peça Senhorita Minha Alma, em São Paulo. “A peça estreou e só depois começamos a namorar. Isso foi em 1952 e estamos apaixonados até hoje”, diz a atriz.

A união gerou três filhos – todos seguiram a carreira dos pais –, sete netos e uma bisneta. A idade dos netos oscila entre 18 e 30 anos e a bisneta tem dois. O sangue de artista também pulsa na geração mais nova dos Goulart? “São artistas sim, mas cada um na sua área”, sorri ele, avô coruja de netos com ocupações tão díspares quanto advogado e jogadora de futebol.”