| Ignácio de Loyola Brandão
é autor de várias obras consagradas.
Algumas já clássicas como Não
Verás País Nenhum, Zero
e Bebel que a Cidade Comeu, adaptada para
o cinema por Maurice Capovilla. A reedição
de seu primeiro livro, Depois do Sol (Global,
208 págs, R$ 30), 40 anos depois do lançamento,
permite que novas gerações possam comparar
o estilo inicial com os romances que o consagrariam.
A principal constatação
é que Loyola já surge dono de um estilo
forte e objetivo no uso de cada palavra. Sua literatura
mistura jornalismo com autobiografia, registrando
o cotidiano da vida noturna da São Paulo da
década de 60, uma cidade que não existe
mais, engolida pela verticalização.
Ao mesmo tempo, o autor se permite viagens interiores,
como a do jornalista preso a uma cama que repensa
sua vida.
A maioria dos contos é noturna.
São prostitutas, boêmios, malandros,
pugilistas e outros personagens que circulam com desenvoltura
pelos bares e inferninhos da época. É
interessante observar elementos que estariam presentes
em sua obra futura, como a candidata a manequim Annuska,
uma espécie de embrião do que viria
a ser Bebel, a ambiciosa garota em busca de um lugar
ao sol.
A edição é acompanhada
de um precioso anexo escrito nos dias atuais, uma
espécie de bastidor do livro, o equivalente
ao que nos DVDs convencionou-se chamar de making of.
Nele, Loyola relembra o que o inspirou, as condições
e a época em que os contos foram escritos.
O nascimento de Loyola
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