Diversão & arte - Televisão  
“Eu entrava no set e me esquecia do mundo de fora. Era tudo uma grande brincadeira’’, diz
Carolina Oliveira
Divulgação
Para protagonizar Hoje É Dia de Maria, Carolina recebeu aulas de interpretação, expressão corporal, sapateado e canto
• • •

Leia também

Exposição
Gastronomia
Internet
Livros
Música
Teatro
Televisão
 
• • •
Melhores de 2005 - Perfil
A precoce Carolina Oliveira

Filha de um motorista de ônibus, ela protagonizou a série Hoje é Dia de Maria e, aos 11 anos, concorreu ao Emmy Internacional
texto: Fábio Farah
foto: murillo constantino

No penúltimo dia de novembro, Carolina Oliveira completou 11 anos. Apesar de ser seu aniversário, não fugiu da prova de Português – ela acaba de completar a 5ª série. “Precisei ler Pollyanna de novo”, diz a menina, com um sorriso tímido. Durante a tarde, teve suas compensações: brincou no parque aquático e comprou seu presente no shopping, em São José dos Campos. “Eu quis o Harry Potter e a Câmara Secreta. Neste mês, minha meta é ler os três primeiros”, diz a
atriz mirim.

Carolina mostrou talento de gente grande ao protagonizar as duas seqüências da microssérie Hoje É Dia de Maria, na Rede Globo, dirigida por Luiz Fernando Carvalho, sucesso de audiência e crítica. Ela concorreu ao prêmio de Melhor Atriz no Emmy Internacional, em Nova York – onde patinou no gelo e brincou no Central Park. O troféu foi para a chinesa He Lin. “Eu entrava no set e me esquecia do mundo de fora. Era tudo uma grande brincadeira”, conta a garota, que ficou amiga de Daniel Oliveira e Rodrigo Santoro. “Procurei respeitar seu mundo, mas dirigindo suas cenas como se estivesse diante de um adulto lúdico, capaz de imaginar um universo todo novo a partir de seus sonhos”, diz Luiz Fernando.

A garota que nunca tinha atuado mudou-se para o Rio durante alguns meses e recebeu aulas de interpretação, expressão corporal, sapateado e canto. “A Carol absorve tudo rápido. Ela é um diamante que precisa ser lapidado”, diz Rose, sua mãe, que abandonou o trabalho como assistente odontológica para seguir os passos da filha e ainda cuidar do caçula Léo, de seis anos. O pai de Carolina é motorista de ônibus.

Foi a sorte que deu um pontapé inicial na carreira artística da menina. Em novembro de 2003, ela convenceu os pais a fazerem seu book fotográfico. “Eu fiquei preocupada e perguntei se ela queria ser artista. Era muito difícil”, diz Rose. A resposta foi tranquilizadora: “Eu não tenho nada a perder. Se não der certo, fico com as fotos”. Dez meses depois, Carolina recebia o convite para Hoje É Dia de Maria. “Queria um rosto que revelasse a miscigenação do nosso País. Uma Maria com traços caboclos, ora meio asiática, espanholada também, uns olhos indígenas, uns lábios africanos...”, diz Luiz Fernando, que enviou dois produtores para percorrer o Brasil e fazer milhares de testes. “Carolina mistura uma grande intuição e uma grande compreensão dos dramas humanos. É uma menina precoce, mas também predestinada”, completa o diretor. Em 2006, além de comprar muitos livros – que antes tinha de pegar na biblioteca –, Carolina Oliveira deve atuar em uma novela e aparecer no filme que será criado a partir da microssérie.