Diversão & arte - Gastronomia  
“O mercado brasileiro é limitado para gastronomia. Para evoluir, é preciso respirar novos ares, de preferência na Europa’’, diz Bel Coelho
• • •
A chef Bel Coelho se transformou na nova estrela da cozinha brasileira valorizando produtos nacionais em criações femininas
• • •

Leia também

Exposição
Gastronomia
Internet
Livros
Música
Teatro
Televisão
• • •
Melhores de 2005 - Perfil
O toque feminino de Bel Coelho

A chef personaliza seu estilo e prepara-se para
comandar um restaurante em Londres que revisitará
receitas brasileiras tradicionais
texto: Fábio Farah
foto: piti reali
 Os melhores de 2005 - a escolha de Gente
 Os melhores de 2005 - Destaques

O ditado popular “Beleza não põe mesa” tem as suas exceções. Uma delas é a chef paulistana Bel Coelho, 26 anos, que faz da beleza um dos fundamentos de suas criações que encantam os comensais. Após transformar o restaurante Sabuji, em São Paulo, em referência obrigatória na paisagem gastronômica do País, a chef prepara-se para aterrissar em Londres, em fevereiro. Lá, irá comandar o Mocotó, restaurante no qual pretende fazer uma releitura de clássicos da nossa culinária. O chef francês Laurent Suaudeau também foi sondado para o posto. “O mercado brasileiro é limitado para gastronomia e os chefs se destacam com facilidade. Para evoluir, é preciso respirar novos ares, de preferência na Europa”, diz Bel Coelho.

Ficar por dentro das últimas tendências no mundo da gastronomia é regra para ela. Bel acaba de participar de um seminário, na Espanha, com os chefs mais badalados do país, entre eles Ferran Adrià, o maior expoente do planeta em cozinha molecular, combinação de química e culinária. “Acho importante a onda espanhola e os utensílios desenvolvidos por Adrià. Eles ajudam a criar novas texturas e combinações”, explica Bel.

Além de se tornar mais badalada – e requisitada – em 2005, a chef aponta como uma de suas maiores conquistas a lapidação de seu estilo de cozinha. Uma viagem que fez a Belém do Pará, em abril, mudou seu conceito gastronômico e alterou sua trajetória. “Descobri, ao lado do chef Paulo Martins (paraense, proprietário do Lá em Casa), diversos ingredientes e passei a usá-los em minhas criações”, diz ela, que deixou a tradição francesa e italiana para se debruçar sobre os elementos de nossa terra. Um exemplo é o “Consommé de Camarão com Tucupi e Jambu”, no qual prepara uma sopa rala utilizando dois produtos típicos do Brasil: o tucupi, de origem indígena, extraído da raiz da mandioca, e a erva amazônica jambu, que provoca uma sensação elétrica no paladar. “Brasileiro valoriza mais o que vem de fora. A gente pode pegar a influência de todo o mundo e fazer a nossa própria cozinha”, diz
Bel Coelho.

O interesse da jovem chef pela gastronomia surgiu cedo. Aos seis anos, Bel freqüentava restaurantes com seus pais e aprendia os princípios que regem a vida de um gourmet. Dois anos mais tarde, lembra-se de gostar de ficar deitada no chão frio da cozinha observando a cozinheira da família preparar as refeições. Aos 17 anos, quando precisou fazer uma escolha profissional, não teve dúvida: deixou a faculdade de psicologia e, por conselho do pai, foi fazer estágio com grandes chefs como Laurent Suaudeau. Após concluir o Culinary Institute of American, em Nova York, desembarcou na cozinha de Alex Atala, um dos chefs brasileiros mais conceituados no Exterior, a quem pede conselhos até hoje. “A Bel é uma das pessoas mais determinadas que eu conheço. Em vários momentos, pensei que ela fosse desistir, mas ela fechou a cara e
foi em frente. O que mais me encanta é a feminilidade dos pratos”,
elogia Atala.