| O ditado popular “Beleza não põe
mesa” tem as suas exceções. Uma
delas é a chef paulistana Bel Coelho,
26 anos, que faz da beleza um dos fundamentos de suas
criações que encantam os comensais.
Após transformar o restaurante Sabuji, em São
Paulo, em referência obrigatória na paisagem
gastronômica do País, a chef
prepara-se para aterrissar em Londres, em fevereiro.
Lá, irá comandar o Mocotó, restaurante
no qual pretende fazer uma releitura de clássicos
da nossa culinária. O chef francês
Laurent Suaudeau também foi sondado para o
posto. “O mercado brasileiro é limitado
para gastronomia e os chefs se destacam com
facilidade. Para evoluir, é preciso respirar
novos ares, de preferência na Europa”,
diz Bel Coelho.
Ficar por dentro das últimas tendências
no mundo da gastronomia é regra para ela. Bel
acaba de participar de um seminário, na Espanha,
com os chefs mais badalados do país,
entre eles Ferran Adrià, o maior expoente do
planeta em cozinha molecular, combinação
de química e culinária. “Acho
importante a onda espanhola e os utensílios
desenvolvidos por Adrià. Eles ajudam a criar
novas texturas e combinações”,
explica Bel.
Além de se tornar mais badalada – e
requisitada – em 2005, a chef aponta
como uma de suas maiores conquistas a lapidação
de seu estilo de cozinha. Uma viagem que fez a Belém
do Pará, em abril, mudou seu conceito gastronômico
e alterou sua trajetória. “Descobri,
ao lado do chef Paulo Martins (paraense,
proprietário do Lá em Casa), diversos
ingredientes e passei a usá-los em minhas criações”,
diz ela, que deixou a tradição francesa
e italiana para se debruçar sobre os elementos
de nossa terra. Um exemplo é o “Consommé
de Camarão com Tucupi e Jambu”, no qual
prepara uma sopa rala utilizando dois produtos típicos
do Brasil: o tucupi, de origem indígena, extraído
da raiz da mandioca, e a erva amazônica jambu,
que provoca uma sensação elétrica
no paladar. “Brasileiro valoriza mais o que
vem de fora. A gente pode pegar a influência
de todo o mundo e fazer a nossa própria cozinha”,
diz
Bel Coelho.
O interesse da jovem chef pela gastronomia
surgiu cedo. Aos seis anos, Bel freqüentava restaurantes
com seus pais e aprendia os princípios que
regem a vida de um gourmet. Dois anos mais tarde,
lembra-se de gostar de ficar deitada no chão
frio da cozinha observando a cozinheira da família
preparar as refeições. Aos 17 anos,
quando precisou fazer uma escolha profissional, não
teve dúvida: deixou a faculdade de psicologia
e, por conselho do pai, foi fazer estágio com
grandes chefs como Laurent Suaudeau. Após
concluir o Culinary Institute of American, em Nova
York, desembarcou na cozinha de Alex Atala, um dos
chefs brasileiros mais conceituados no Exterior,
a quem pede conselhos até hoje. “A Bel
é uma das pessoas mais determinadas que eu
conheço. Em vários momentos, pensei
que ela fosse desistir, mas ela fechou a cara e
foi em frente. O que mais me encanta é a feminilidade
dos pratos”,
elogia Atala.
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