| Fernando Henrique Cardoso ganhou um de presente,
e Diogo Mainardi dedicou uma coluna ao tema.
Na época de lançamento, esses brinquedos
de pelúcia representando o presidente Lula
foram capa de jornais populares e chegaram a ser citados
em 300 locais da internet, de sites de conteúdo
GLS a periódicos de economia. Repercussão
nada tímida para um boneco que não é
vendido nas principais lojas do ramo, mas é
comercializado em uma galeria de arte contemporânea
com tiragem limitada de 200 unidades.
Em plena queda de popularidade do governo Lula,
Raul Mourão saboreia o sucesso de seu “Luladepelúcia”.
“Já fiz trabalhos com um potencial comunicativo
grande, mas nada se compara ao ‘Luladepelúcia’”,
diz o artista carioca de 38 anos, habituado ao contraste
entre o hermetismo da arte contemporânea e a
comunicabilidade de projetos feitos para as massas.
Ex-aluno da Escola de Artes Visuais do Parque Lage,
no Rio – berço de muitos dos principais
artistas brasileiros das gerações 80
e 90 –, Raul também é diretor
de videoclipes e de cenários de grandes shows.
Ele fez a direção de arte do novo CD
e show dos Paralamas do Sucesso e já dirigiu
clipes de Lobão, Skank, Gabriel o Pensador
e Pedro Luís e a Parede. Fausto Fawcett, ele
nunca dirigiu, mas o compositor carioca escreveu para
o folder da exposição de Mourão
na galeria Lurixs: “Estamos livres dessa papagaiada
que nos atormentou durante 20 e tantos anos. Ganhou
a Presidência para dizer a que não veio.
Esqueçam o Lula porque ele não é
de verdade, ele é de pelúcia”.
Flamenguista roxo, Mourão já mostrou
antes seu trânsito ágil entre o pop e
o erudito. Em 1993, ele levou o futebol, ícone
máximo da cultura popular brasileira, para
dentro da Bienal do Mercosul, com a instalação
“Grande Área”. “Por melhor
que seja a cobertura de futebol no Brasil, o jornalismo
não explora o jogo como espetáculo visual.
O artista preenche essa lacuna”, diz ele.
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