Celebridade  
Divulagação

Em uma sessão de fotos realizada em 1978 (ao lado), Ivan Lins aparecia com o visual característico da época: calça jeans, camisa aberta, cabelo comprido e barba por fazer. “Eu era muito desligado com roupa. Tocava com o que estivesse vestindo”, diz o músico, vencedor do Grammy Latino de melhor álbum do ano de 2005

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Ivan Lins

por diógenes campanha

Wilton Montenegro
Essa foto cobre bem minha vida de 1977 a 1983”, diz Ivan Lins. “Eu era isso aí: barba toda por fazer, jeans, tênis, camisa aberta. Não estava nem aí para roupa.” A imagem ao lado foi feita em 1978, ano em que o cantor e compositor lançou o álbum Nos Dias de Hoje. E era praticamente com esse visual que Ivan aparecia na capa do disco, no qual sua foto era exibida dentro de um cartaz de “Procura-se”. A mensagem era clara em um tempo em que o Brasil ainda vivia sob a ditadura militar e Ivan Lins era um dos artistas que se posicionavam contra o regime. “A barba e a roupa também fazem parte dessa politização”, diz. Nessa época, os músicos se reuniam para discutir as letras que fariam e que postura tomariam nos shows. Também bolavam meios de driblar a censura. “Quando mandávamos uma música para Brasília, sempre acrescentávamos duas ou três letras muito mais pesadas”, conta Ivan. “Eles censuravam tudo, aí o advogado da gravadora pedia que pelo menos uma delas fosse liberada. Com isso, conseguíamos a liberação da canção que queríamos.” Com esse artifício, clássicos como “Bandeira do Divino”, “Desesperar Jamais” e “Cartomante” puderam chegar aos ouvidos do público. Considerado o brasileiro vivo mais gravado no Exterior, Ivan Lins conquistou, em novembro, o Grammy Latino de melhor álbum do ano, com o disco Cantando Histórias. E o mercado internacional está em seus planos para 2006. Pretende gravar dois discos de inéditas e receber, em um deles, convidados estrangeiros como Lucio Dalla, Sting e Jorge Drexler.