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“Meus testes nunca foram e
nunca serão do sofá. Sou a menina das idéias, não a menina dos pernões”, diz Babi
“Sei que chego num lugar e os homens olham. Gosto do mulherão que sou, sempre tive esse lado exibicionista de gostar de ser observada’’, diz Babi Xavier
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Televisão
Babi em nova fase

Após oito anos afastada das novelas, a atriz e apresentadora retorna à Globo em Bang Bang, fala da época em que ficou na geladeira do SBT, das experiências malsucedidas como escritora e cantora e diz que errou ao entregar sua carreira a Silvio Santos
texto: Carla Felícia
fotos: Leandro Pimentel
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Ela surgiu Anna Bárbara Xavier, ficou famosa com o apelido Babi e agora assina Babi Xavier. Começou como modelo, virou atriz, estourou como apresentadora, fez tentativa como cantora e também como escritora. A quem pergunta qual dessas considera sua profissão de verdade, responde, rápida no gatilho: “Nenhuma delas, sou artista”. E não se incomoda com quem critica tal versatilidade, às vezes vista como algo pejorativo. “Não atiro para todos os lados não, meus tiros são certeiros”, rebate. O disparo da vez, coincidência ou não, chama-se Bang Bang. Aos 31 anos – oito depois de sua última novela, Por Amor – ela retoma a carreira de atriz vivendo a prostituta Marilyn Corroy na trama das sete. “Queria me dar esse prazer de relaxar um pouco com a Babi comunicadora e assumir a Babi que dá corpo e alma a personagens”, diz.

Com a novela, Babi inaugura uma nova fase na carreira. Deixa para trás o período de incertezas vivido no SBT, emissora na qual trabalhou por quatro anos, apresentando o Programa Livre e o reality show Ilha da Sedução. No último ano e meio de contrato, até o fim de 2003, ela se viu sem programa, na geladeira do SBT. “Não foi legal. Fiquei igual a uma dondoca dentro de casa, isso é a pior coisa do mundo”, lembra a atriz, que não conseguiu transmitir sua insatisfação ao patrão, Silvio Santos. Tentou várias vezes falar com ele, chegou a mandar uma carta para o escritório de Silvio, mas não obteve sucesso. Ficou a lição: nunca mais deixar que outra pessoa tome as rédeas de sua vida profissional. “Era muito nova e no afã de trabalhar com Silvio entreguei minha carreira nas mãos dele. Isso não se faz”, reconhece. “A mesma oportunidade que ele me deu, tirou.”

Nesse período, com tempo livre de sobra, ela se aventurou em outras formas de expressão: lançou o CD Do Jeito que Eu Quero, com direito a dueto com Chico Buarque, e o livro E Aí? – um Papo Aberto Entre a Gente, destinado ao público jovem. Ambos tiveram repercussão discreta. A atriz culpa a falta de estratégia de marketing – foi confuso lançar os dois produtos quase ao mesmo tempo. Babi acredita que o fato de não ter sido liberada pelo SBT para divulgá-los em outras emissoras também contribuiu para o fraco desempenho do disco e do livro. Se ficou alguma mágoa de Silvio? Babi prefere não se estender no assunto e altera o tom suave da voz pela primeira e única vez. “Silvio Santos para mim é passado, como um ex. Mas nossa
relação não terminou mal, absolutamente. Sempre deixo as portas abertas”, encerra.

Para voltar à Globo, Babi despiu-se de constrangimentos, vestiu-se de coragem e correu atrás de quem, mesmo sem conhecê-la, poderia ajudar nesse desafio: Mário Lúcio Vaz, diretor artístico da Globo. No final de 2003, quando terminou seu contrato com o SBT Babi pediu uma reunião com o executivo. Ouviu elogios e a promessa de que uma oportunidade não tardaria a chegar. Pouco mais de um ano depois, recebeu uma ligação do diretor de Bang Bang, Ricardo Waddington.

Em doze anos de batalha no mundo artístico, Babi acostumou-se aos tombos. A serenidade com que enfrenta os percalços hoje começou a ser moldada bem antes de subir às passarelas, quando viveu um momento difícil pela primeira vez. Aos 14 anos, seus pais se separaram e ela se viu obrigada a ajudar a mãe – que não trabalhava – a pagar as despesas de casa. Além de dar aulas particulares para colegas mais novos, também passou a vender produtos trazidos por sacoleiros do Paraguai, de roupas a cosméticos. “Quis assumir o lugar do meu pai, ser o homem da casa.” Da mesma forma, passou por cima de muitos obstáculos para vencer como modelo. Quando decidiu passar uma temporada em São Paulo, encontrou abrigo na casa de um booker da agência, no quarto de empregada. “Com meu 1,75 metro de altura, eu não cabia deitada, dormia em posição fetal”, lembra, às gargalhadas.

Nada disso, porém, a preparou para viver, aos 19 anos, a experiência constrangedora de ser assediada sexualmente por um publicitário que a havia contratado. Sem perceber as intenções dele, Babi aceitou um convite para almoçar. Ao fim do encontro, pediu uma carona e, no caminho, ouviu a proposta: “Tem certeza de que quer ir para casa agora? Tinha reservado a tarde para ficarmos juntos”, disse o publicitário. Diante da recusa dela em estender o programa, aconteceu o desfecho esperado: foi substituída por outra modelo. “Meus testes nunca foram e nunca serão do sofá. Sou a menina das idéias, não a menina dos pernões”, diz. Não foi uma situação isolada. Episódios como este aconteciam até dois anos atrás.

Babi perdeu a conta de quantas propostas acompanhadas de uma cantada recusou. “Não me sinto confortável de condicionar um trabalho a um flerte. Isso me brocha total, tenho o maior prazer em dizer não”, afirma. Mas ela admite que sempre chamou a atenção dos homens, desde a época de adolescência em Niterói, cidade vizinha ao Rio onde nasceu e foi criada. “Sei que chego num lugar e os homens olham. Gosto do mulherão que sou, sempre tive esse lado exibicionista de gostar de ser observada.” A atriz passou os últimos meses curtindo
a vida de solteira. Separada do modelo Paulo Ferreira – com quem dividiu sua casa na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio, por
dois anos e meio – viveu um primeiro momento sozinha, para em seguida se entregar, sem culpa, à diversão saudável dos flertes e “amizades coloridas”.

“Ter amigos do peito é fundamental nessa entressafra de relacionamentos. Com responsabilidade e fazendo sexo seguro, não vejo problema”, explica. “Você conhece pessoas, até que uma te pega de jeito.” E ao que tudo indica, Babi já foi fisgada. Há duas semanas, está saindo com Thiago Teitelroit, de 23 anos, assistente de direção de Bang Bang. “Demos sorte de nos encontrar no meio dessa zona que é uma gravação de novela”, conta ele. “Reparamos um no outro e está sendo muito bacana. Ela é muito especial, linda em vários sentidos.” Se 2005 trouxe uma reviravolta na carreira, o ano que se aproxima promete ser de romance.

Agradecimentos: Animale, Ellus, Fornerina, K&T, Yes, Brasil. Beleza: Margareth Dantas, Produção: Márcia Montojos