20 de março de 2000
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O nome da crise

Marlene Betegheli, a secretária particular de Celso Pitta, cuida do guarda-roupa do prefeito, administra suas contas pessoais e motivou a ira de Nicéa Pitta, a ponto de a ex-primeira-dama acusar o ex-marido de corrupção

Carlos Henrique Ramos, Cesar Guerrero e Fábio Bittencourt

Foto: Piti Reali
Nicéa nunca perdoou as traições do marido durante o casamento, que durou 28 anos. “Ele sempre foi infiel”, diz a ex-primeira-dama

No dia 25 de janeiro, o prefeito de São Paulo, Celso Pitta, participou das comemorações do aniversário da cidade acompanhado de sua mulher, Nicéa. Os dois foram juntos à missa em homenagem à cidade e, logo depois, conversaram frente a frente, durante cinco horas, na mansão do empresário Jorge Yunes, no Jardim Europa, zona sul de São Paulo. Para Nicéa, as lágrimas vertidas durante o encontro deveriam ter resultado numa reconciliação. Para Pitta, contudo, foi o derradeiro sinal do ocaso de uma união de 28 anos – até porque há uma nova mulher em sua vida. “Ele tem uma namorada e não é a primeira vez que me traiu”, atesta Nicéa Camargo, que passou a usar o sobrenome de solteira desde a sexta-feira 10, quando fez uma série de acusações de corrupção contra o ex-marido. “Foram várias traições”, disse ela a Gente.

Havia cinco meses que estavam brigados, quando, em novembro, Nicéa viajou para uma temporada em Nova York com a filha do casal, Roberta, onde ficou até a véspera do Natal. Nesse intervalo, Pitta trocou o apartamento da família, no bairro dos Jardins, por um flat em Moema, zona sul de são Paulo. Agora, Marlene Betegheli, uma loira com pouco mais de 40 anos, solteira e secretária particular do prefeito, é o pivô dos ciúmes que motivaram Nicéa a atacar o marido. Com pouco mais de 1,70m de altura, Marlene costuma se vestir com elegância. No dia-a-dia, cuida das contas pessoais de Pitta e administra até seu guarda-roupa. Foi ela quem o ajudou a sair de casa, na mudança para o flat. Marlene tem currículo impecável. Foi secretária de altos escalões de grandes empresas e bancos. No antigo banco Bandeirantes, por exemplo, era a secretária número um do então presidente, Gilberto Faria. Desde que conheceu Pitta, ela mora no bairro do Paraíso.

“Ele sempre foi infiel, mas não é o único. Não dá para colocar a mão no fogo por ninguém”
“Não existe nada pessoal. Fui eu quem decidiu pedir a separação”
“Uma pessoa insegura não deixa o marido sozinho durante três meses”

O prefeito de São Paulo mudou-se para o flat porque queria se sentir mais à vontade para pedir a separação amigável. Acabou recorrendo à 3.ª Vara da Família há 15 dias, com um processo de divórcio litigioso, aquele em que só uma das partes concorda com a separação. Pitta quer tentar nova vida. Desde que o calvário de denúncias contra sua gestão foi deflagrado, ele sente-se cada vez mais isolado na política e sozinho na vida pessoal. Com o pedido de divórcio, Nicéa contou aos filhos as traições do marido. Indignados, eles passaram a apoiar a mãe. Roberta, 26 anos, e Vitor, 24, romperam com o pai e passaram a exigir ajuda financeira. Roberta não fala com o pai há seis meses, enquanto o silêncio de Vitor já dura quatro semanas.

Pitta tem mostrado desenvoltura na nova vida de solteiro. Enquanto ele assistia aos desfiles das escolas de samba no camarote da Prefeitura no Sambódromo, em São Paulo, Marlene o acompanhou – chegou a ser barrada quando tentou entrar no camarote da Kaiser – e depois seguiu para Natal, para visitar amigos. Em seguida, Pitta viajou a Paris para participar de um encontro internacional de prefeitos. Na capital francesa, estava outra loira, de 48 anos, 1,75m de altura e 63 quilos, a socialite Marina de Sabrit, casada com o empresário francês Thierry de Sabrit, que participava de uma feira têxtil e de moda. Os dois almoçaram juntos no La Tour D’Argent, um dos mais caros e estrelados restaurantes de Paris. “Somos amigos de poucas ocasiões”, afirma Marina. “Ele é muito gentil e elegante.” Pitta a conheceu em meados de dezembro quando foi, sozinho, a uma festa surpresa para a socialite. Um mês depois, antes do Carnaval, lá estava ele almoçando com a empresária no Parigi, um dos restaurantes badalados de São Paulo. Os dois surpreenderam os deputados federais que estavam em mesa próxima da deles. “Ele me convidou para almoçar e eu aceitei”, conta Marina. O encontro foi acertado pela assessoria do prefeito.

Foto: Cláudio Gatti

A cara da crise
Conheça Marlene Beteghelli, secretária particular de Celso Pitta, reponsável, entre outras coisas, pela imagem do prefeito

Secretária particular do prefeito de São Paulo, Marlene Beteghelli tem status de secretário de governo. Marlene tem 45 anos e trabalha com Celso Pitta há dois. Cuida de sua agenda, das contas pessoais e, também, de sua imagem. "Eu vejo se as franjas do tapete do flat estão no lugar", declarou ela à reportagem de Gente. "E se os quadros na parede estão tortos."
A secretária de Pitta foi responsável pela organização da festa de aniversário do prefeito, em 29 de setembro de 1999. Na época, ele havia se livrado do impeachment, mas já tinha os bens indisponíveis por decisão da Justiça. Era o início da crise entre Pitta e Nicéa.

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Nicea 1 - Nicea 2 - Nicea 3


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