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Evento
9.º Festival
de Teatro de Curitiba
Com baixo orçamento, cresce a participação
na mostra paralela
Marcos
Bragato
| Foto:
Divulgação |
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Apocalipse
1, 11, de Antônio Araújo
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Um dos mais
importantes painéis das artes cênicas brasileiras, o Festival de
Teatro de Curitiba toma três grandes frentes como motores de sua
nona edição, que acontece de 16 a 26 de março. Este ano, destaques
dividem-se entre a mostra oficial, com conhecidos diretores do eixo
Rio-São Paulo, a mostra Incluídos – um painel de produções não convencionais
– e a Fringe, mostra paralela com 46 espetáculos de diversas partes
do País.
O chamariz continua
na mostra oficial, uma espécie de “Grupo Especial” do teatro, que
inclui diretores como Gabriel Villela, Antônio Abujamra, Gerald
Thomas, Moacyr Góes, Antônio Araújo, João Falcão e traz a presença
carismática de Denise Stoklos, com seu novo solo Vozes Dissonantes.
Nem todos os trabalhos são inéditos: Apocalipse 1, 11, em cartaz
em São Paulo, ocupará um presídio da capital paranaense e A Máquina,
de João Falcão, cumpre temporada em Recife. As mais aguardadas novidades
ficam por conta de Crimes Delicados – na qual Abujamra dirige a
família Goulart (Paulo, Nicete e Bárbara) –, na versão de Villela
para a peça Replay, que traz Luiza Thomé e Raul Gazolla e nas duas
montagens de Gerald Thomas, Coro e Camarim, duas leituras sobre
o universo do ator.
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Foto:
Divulgação
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A
Máquina, de João Falcão
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A mostra Incluídos
traz três espetáculos fora dos padrões. A Cia. Teatral Ueinzz, formada
por atores paulistanos que passam por tratamento mental, encena
a peça Dédalus e a Cia. Pombas Urbanas, que nasceu em São Miguel,
bairro da periferia paulistana, traz Uma Baleia Perto da Lua. Já
a etnia cigana está representada no espetáculo Além da Lenda, montado
pela Associação Brasileira de Preservação da Cultura Cigana.
Com a crescente
queda no orçamento – R$ 3 milhões em 1998, R$ 2 milhões em 1999
e, neste ano, cerca de R$ 1,5 milhões – a estratégia foi a de ampliar
a Fringe (franja ou borda, em inglês), a mostra paralela que dá
um termômetro real da produção nacional. É para lá que se voltam
os olhos quando a busca é por novidade.
Curitiba
em cena
Ping
Pong
Raul
Gazola
Destaque
do festival
Lilian Amarante
| Foto:
Katia Tamanaha/AE |
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Replay, peça
dirigida por Gabriel Villela, é uma das estréias mais esperadas
de Curitiba e encerra o Festival. No elenco, além de Vera Zimmerman
e Luiza Thomé, está Raul Gazola, que conversou com Gente.
Do que trata
a peça?
De um homem que chegou aos 50 anos muito infeliz. É o meu personagem,
que começa a rever seus erros e discuti-los, inclusive com ele mesmo,
quando jovem. Em cena, você passa o tempo todo com um nariz de palhaço...
A gente está trabalhando com a linguagem clown, do palhaço. Todos
em cena usam o nariz vermelho e ninguém tem um comportamento normal.
Como assim?
A peça é surrealista. Numa cena, por exemplo, o personagem discute
com o pai da namorada, que é interpretado por três atores: um é
a cabeça, outro o tronco e o terceiro, as pernas.
É difícil?
Difícil, mas interessante. Estamos trabalhando com a preparadora
de voz do Milton Nascimento e fazendo um trabalho corporal intenso.
Estou adorando ser dirigido pelo Gabriel. Ele é inteligente e talentoso.
Como é estrear
em Curitiba?
É uma novidade. Vamos sentir a reação do público pela primeira
vez. Mas já sei que é impossível alguém sair do teatro dizendo que
Replay é legalzinha. É uma peça que o espectador odeia ou ama.
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