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História
O Papa de
Hitler
John Cornwell confirma traço anti-semita
do papa Pio XII
Luiz Octávio
de Lima Camargo
Por que os
católicos alemães, que meio século antes tinham enfrentado e vencido
o poderoso Bismarck, não se opuseram a Adolf Hitler e ao holocausto?
Esta perturbadora questão é o cerne do livro O papa de Hitler- a
História Secreta de Pio XII (Imago, 472 págs., R$ 40), do escritor
inglês John Cornwell.
Hitler sabia
que precisava conter a militância católica e teve a sorte de ter
como interlocutor o poderoso Secretário de Estado do Vaticano, o
cardeal Eugênio Pacelli, que, em 1939, tornou-se Pio XII. Pacelli
é, sem dúvida, a principal figura da Igreja moderna. Ainda cardeal,
prenunciou os recentes papas viajantes e era recebido em todos os
países com a mesma pompa. Como papa, era carismático, culto e brilhante,
transformando em eventos as entrevistas que concedia a grupos e
personalidades da época.
Favoreceram
a Hitler alguns traços de Pacelli: anti-judeu e, às vezes, anti-semita
a ponto de declarar que os judeus estavam colhendo o que haviam
plantado. Anticomunista, afirmava temer mais os soviéticos do que
os nazistas. Era um firme defensor dos interesses da Igreja e expunha
opiniões que faziam dele um personagem humano demais para ser visto
como santo.
Em troca de
vantagens para o clero e escolas católicas, confinou a Igreja alemã
ao silêncio diante das atrocidades de Hitler, ainda na época do
cardinalato. No papado, manteve-se coerente com o acordo, sempre
temerosos, de assassinatos de padres e freiras pelos comunistas
espanhóis e russos.
O escritor John
Cornwell não é um detrator da Igreja Católica. Católico militante,
iniciou sua pesquisa com o intuito de inocentar Pacelli da pecha
de anti-semita. Ao final, com um profundo “choque moral”, viu-se
obrigado a confirmá-la. Menos do que criar obstáculos ao processo
de beatificação e santificação do pontífice, ele clama por um pedido
de desculpas da Igreja à comunidade judia. E, dirigindo-se aos demais
católicos, pergunta se não é hora de discutir a estrutura piramidal
da Igreja: devemos arriscar a ter no trono pontifício outro ser
humano aceito como infalível em questões de fé e moral e com tanto
poder e ambição?
História
extra-oficial
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