20 de março de 2000
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História

O Papa de Hitler
John Cornwell confirma traço anti-semita do papa Pio XII

Luiz Octávio de Lima Camargo

Por que os católicos alemães, que meio século antes tinham enfrentado e vencido o poderoso Bismarck, não se opuseram a Adolf Hitler e ao holocausto? Esta perturbadora questão é o cerne do livro O papa de Hitler- a História Secreta de Pio XII (Imago, 472 págs., R$ 40), do escritor inglês John Cornwell.

Hitler sabia que precisava conter a militância católica e teve a sorte de ter como interlocutor o poderoso Secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Eugênio Pacelli, que, em 1939, tornou-se Pio XII. Pacelli é, sem dúvida, a principal figura da Igreja moderna. Ainda cardeal, prenunciou os recentes papas viajantes e era recebido em todos os países com a mesma pompa. Como papa, era carismático, culto e brilhante, transformando em eventos as entrevistas que concedia a grupos e personalidades da época.

Favoreceram a Hitler alguns traços de Pacelli: anti-judeu e, às vezes, anti-semita a ponto de declarar que os judeus estavam colhendo o que haviam plantado. Anticomunista, afirmava temer mais os soviéticos do que os nazistas. Era um firme defensor dos interesses da Igreja e expunha opiniões que faziam dele um personagem humano demais para ser visto como santo.

Em troca de vantagens para o clero e escolas católicas, confinou a Igreja alemã ao silêncio diante das atrocidades de Hitler, ainda na época do cardinalato. No papado, manteve-se coerente com o acordo, sempre temerosos, de assassinatos de padres e freiras pelos comunistas espanhóis e russos.

O escritor John Cornwell não é um detrator da Igreja Católica. Católico militante, iniciou sua pesquisa com o intuito de inocentar Pacelli da pecha de anti-semita. Ao final, com um profundo “choque moral”, viu-se obrigado a confirmá-la. Menos do que criar obstáculos ao processo de beatificação e santificação do pontífice, ele clama por um pedido de desculpas da Igreja à comunidade judia. E, dirigindo-se aos demais católicos, pergunta se não é hora de discutir a estrutura piramidal da Igreja: devemos arriscar a ter no trono pontifício outro ser humano aceito como infalível em questões de fé e moral e com tanto poder e ambição?

História extra-oficial

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