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Ivete Sangalo: regravação da lambada "Chorando se foi"
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Axé
As Super Novas Volume 01

Ivete Sangalo adiciona temperos de funk e disco music ao seu pop baiano em CD de repertório irregular
Mauro Ferreira

Não tem apenas dendê na moqueca baiana de Ivete Sangalo. Em seu sexto disco solo, As Super Novas Volume 01, a cantora adicionou outros molhos ao seu axé carnavalesco. Quem sintoniza as rádios já deve ter ouvido a faixa “Abalou”, temperada com sabor de funk americano. Em outra música, “Zum Zum Ê”, a artista apela para o batidão do funk carioca do DJ Marlboro, colaborador da faixa. Mas nem a mexida na receita disfarça o caráter primário do repertório de Ivete, formado por letras e melodias pobres.

Inspirada nas coletâneas dos anos 70 e 80, ilustradas com modelos em motocicletas, a capa de As Super Novas Volume 01 traduz o conceito do disco. Nunca Ivete soou tão pop. Se “Poder” evoca a levada dos hits das discotecas, “Cadê Você?” cai no ritmo africano do zouk, espécie de primo-irmão do samba. Mas as baladas românticas não são esquecidas. “Quando a Chuva Passar” representa o gênero e deixa a impressão de que o autor Ramón Cruz tentou copiar o estilo de Herbert Vianna, compositor de hits de Ivete nessa seara sentimental.

Tanto ecletismo sinaliza salutar tentativa de renovar a desgastada axé music, só que Ivete, mais uma vez, apresenta um disco aquém de seu potencial como cantora. No palco, ela é incendiária – como atesta a versão ao vivo de “Chorando se Foi”, a lambada que seduziu o Brasil e o mundo no fim dos anos 80, na gravação do efêmero grupo Kaoma. Por isso mesmo, Ivete ainda deve um disco à altura de seu carisma. Além
do dendê