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Bárbara Paz: questionamento da vida sexual do Marquês de Sade
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Drama
Madame de Sade
Roberto Lage faz retrato frio da aristocracia francesa
em peça de Yukio Mishima
Érico Fuks

O polêmico Yukio Mishima (1925-1970), considerado o maior escritor japonês do século 20, viajava muito ao redor do mundo, colocando em suas obras uma mistura de estilos entre a tradição oriental e a modernidade ocidental. Isso explica o figurino, a iluminação e o cenário minimalistas de Madame de Sade, adaptação dirigida por Roberto Lage. Paredes e divisórias de madeira, tablado vermelho ao centro, e só.

Com estrutura do Teatro Nô, que prioriza o essencial e abre mão de pirotecnias, a peça investiga a vida do aristocrata francês Marquês de Sade entre 1772 e 1790. Sua controversa vida sexual e suas posições políticas amorais são questionadas pelo olhar feminino da esposa fiel Renée (Bárbara Paz, que mais grita do que atua), sua mãe, a Madame de Montreuil (Imara Reis, burocrática), sua irmã Anne, além da religiosa Madame de Simiane, da devassa Madame de Saint-Fond e da criada Charlotte, a única de quimono que vai e vem pelo palco.

Excessivamente discursiva e arrastada, a montagem não emociona. O tom monocórdico das atrizes não traduz o significado ambíguo do Marquês ao presentear suas cortesãs com chicote (a dor) e bombons (o prazer). Espaços cênicos são pouco explorados: o elenco em linha reta e a dureza nas falas dão a impressão de uma leitura dramática, mais para leitura do que para dramática. Chá de canseira

CCBB-SP
R. Álvares Penteado, 112, tel. (11) 3113-3651/52. Até 11/12.