Diversão & arte - Gastronomia  
Fotos: Claudio Gatti
Inés Berton faz chás com os melhores ingredientes, garimpados principalmente no Oriente
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Foco / Inés Berton
A argentina que faz magia com o chá
Claudia Jordão

Depositadas no fundo de uma xícara de chá estão cinco pequenas flores de jasmim, costuradas à mão de modo que permaneçam fechadas. Conforme a água quente é despejada sobre as flores, elas flutuam e, como num passe de mágica, desabrocham. Criado especialmente para o dalai-lama por uma das maiores especialistas em chá no mundo, a argentina Inés Berton, 31 anos, o “Jasmine Pearls” (pérolas de jasmim) é apenas uma das 300 criações dela para sua marca, Tealosophy. E não é apenas o dalai-lama que figura na lista de clientes ilustres. O rei da Espanha, Juan Carlos 2º, o diretor Luc Besson, o cantor Lenny Kravitz e a pop star Shakira também consomem seus produtos. Inés também é queridinha do chef Alex Atala. Em breve, ela assinará a carta de chás de seu restaurante D.O.M., em São Paulo.

Ainda criança, Inés percebeu seu “olfato absoluto”. Ela sentia cheiro em exagero: da escola, dos coleguinhas, dos produtos de limpeza. Quando cresceu, decidiu que estudaria perfumaria. Matriculou-se em uma escola na França, mas desistiu por detestar química. Em Nova York, onde morou por 8 anos, descobriu o chá. Envolveu-se com o estudo da folha e hoje é a única mulher entre 11 teanoses (especialistas em chá) no mundo.

O trabalho de Inés é “desenhar” chás. Em viagens ao redor do mundo, especialmente ao Oriente, ela adquire folhas e combina com outros ingredientes e aromas. Inés fez um chá para o Brasil. O “Royal Fruit” (fruta real) traz pétalas de girassol, flores de hibisco, manga, papaia e pêssego numa base de chá preto. A inspiração veio de suas visitas ao País. Encantada com a oferta de frutas e flores brasileiras, a primeira vez que esteve no Brasil foi marcada por longas horas no supermercado. “Gastei fortunas porque comprei uma de cada fruta que via pela frente”,
diz ela.

Fotos: Claudio Gatti
Tealosophy – Esqueça os nossos chás de cidreira, camomila e erva-doce. Eles não são chás, são infusões. Para uma bebida receber a denominação, ela precisa levar as folhas da Camellia sinensis. Cultivada em países como China, Japão, Índia e Sri Lanka, ela é a base dos chás preto e verde. Para provar os chás desenhados por Inés Berton, procure saber sobre a Tealosophy (www.tealosophy.com). A marca dá nome à sua loja em Buenos Aires, na Argentina, a um CD para ser ouvido enquanto se degusta o chá e a uma linha de chocolates feitos com chá.
O preço da lata de 160 gramas de chá varia de R$ 30 a
R$ 100. Quem não tiver nenhuma viagem agendada para
o país vizinho, deve esperar. Inés abrirá uma loja em
São Paulo até o final deste ano.

Dicas
Como acertar no preparo de seu chá

• Nunca deixe a água ferver. As folhas podem queimar e assim prejudicar o sabor e o aroma.

• Use uma colher de chá para cada xícara preparada. Se preferir a bebida mais forte, aumente um pouco a quantidade, nunca o tempo
de infusão.

• No caso do chá verde, o tempo de infusão é de um minuto e meio.

• Com o chá preto, o tempo de infusão é de dois a três minutos.

• Evite adoçar. Ou prefira o açúcar ao adoçante.