Saúde  
Cirurgia plástica em adolescentes
A procura quadruplicou em cinco anos, o que merece a atenção para as motivações e as conseqüências da intervenção nessa fase da vida
Dr. Hans Arteaga *
Murillo Constantino
Arteaga: sem pressa para
a cirurgia
O número de cirurgias plásticas vem aumentando consideravelmente nos últimos tempos e com isso, a presença do adolescente também ficou mais constante nos consultórios médicos, sendo necessário dar mais atenção às suas motivações, seus problemas e as conseqüências das plásticas nessa pessoa. Em 2000, cinco entre 100 pacientes que procuravam meu consultório tinham de 6 a 16 anos. Este ano o número saltou para 22 entre 100 pacientes.

Em adultos, a dinâmica entre consulta e cirurgia é muito curta, o paciente já chega bem mais esclarecido que antes, facilitando e tornando o processo muito mais rápido. No adolescente, porém, a atenção deve ser redobrada, não podendo existir pressa para a realização da cirurgia.

Todos nós, principalmente aqueles que têm filhos, sabemos que o adolescente está em constante mudança, e que a sua vontade por uma plástica hoje pode não ser a mesma amanhã, podendo não aceitar os resultados conseguidos.

Determinar os efeitos da plástica em um organismo em desenvolvimento não é muito fácil, mas hoje essas condutas estão mais padronizadas. Mesmo assim, o problema principal é o aspecto psicológico do adolescente, que deve ser bem analisado para conseguir boa indicação para a cirurgia, de maneira que seus anseios sejam atingidos e os resultados fiquem dentro de sua expectativa.

Quando se chega à conclusão de que o problema em si está dificultando o relacionamento em seu grupo social e, se possível, apoiado por educadores e psicólogos, então a cirurgia é realizada.

Se a cirurgia plástica normalmente influencia a vida de quem a procura, as alterações no adolescente são muito mais perceptíveis, e, em geral, contribuem para o seu desenvolvimento psicossocial. Normalmente no primeiro curativo são notadas sensíveis alterações como postura corporal e fala mais espontânea.

Certa vez, uma adolescente de 17 anos compareceu ao consultório queixando-se por ter mamas muito pequenas. Sua mãe dizia que ela não ia à praia, não usava camisetas ou outras roupas que marcavam, pois se sentia constrangida. Após a cirurgia, a paciente retornou ao consultório muito mais falante, com uma outra postura, era praticamente outra pessoa. É lógico que isso varia de indivíduo para indivíduo, mas é gratificante para o médico ver essas mudanças.

Ainda sim, com todos os benefícios, devemos lembrar que os riscos inerentes à cirurgia, anestesia, internação em ambiente hospitalar, medicamentos e outros fatores sempre irão existir, e se nossa geração, que passou pela adolescência há 20, 30 anos, resolveu suas “neuras” sem recorrer a cirurgias, por que os adolescentes de hoje também não podem resolvê-las da mesma maneira? Essa questão fica em aberto.

* Hans Arteaga é especialista em cirurgia plástica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Com especialização na Itália e Sérvia e Montenegro. É diretor clínico da Clínica de Cirurgia Plástica Anália Franco e do Hospital Avicena em Belgrado e médico cirurgião em Roma.
Pílulas
 

» A cirurgia plástica em adolescente deve ser a última alternativa para a resolução de um problema

» A prótese de silicone será sempre um corpo estranho, só a coloque se realmente houver necessidade

» Só faça a cirurgia plástica se o problema realmente incomodar, nunca faça porque as outras
pessoas querem

» O paciente precisa sentir segurança e confiar no médico. Procure um profissonal que ofereça isso

» Um menor deve sempre ir ao consultório com seus responsáveis

» Cirurgias na mama não aumentam a incidência de câncer