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Arteaga: sem pressa para
a cirurgia |
O número de cirurgias plásticas vem aumentando consideravelmente
nos últimos tempos e com isso, a presença do adolescente
também ficou mais constante nos consultórios médicos,
sendo necessário dar mais atenção às suas
motivações, seus problemas e as conseqüências
das plásticas nessa pessoa. Em 2000, cinco entre 100 pacientes
que procuravam meu consultório tinham de 6 a 16 anos. Este
ano o número saltou para 22 entre 100 pacientes.
Em adultos, a dinâmica entre consulta e cirurgia é
muito curta, o paciente já chega bem mais esclarecido que
antes, facilitando e tornando o processo muito mais rápido.
No adolescente, porém, a atenção deve ser redobrada,
não podendo existir pressa para a realização
da cirurgia.
Todos nós, principalmente aqueles que têm filhos,
sabemos que o adolescente está em constante mudança,
e que a sua vontade por uma plástica hoje pode não
ser a mesma amanhã, podendo não aceitar os resultados
conseguidos.
Determinar os efeitos da plástica em um organismo em desenvolvimento
não é muito fácil, mas hoje essas condutas
estão mais padronizadas. Mesmo assim, o problema principal
é o aspecto psicológico do adolescente, que deve ser
bem analisado para conseguir boa indicação para a
cirurgia, de maneira que seus anseios sejam atingidos e os resultados
fiquem dentro de sua expectativa.
Quando se chega à conclusão de que o problema em
si está dificultando o relacionamento em seu grupo social
e, se possível, apoiado por educadores e psicólogos,
então a cirurgia é realizada.
Se a cirurgia plástica normalmente influencia a vida de
quem a procura, as alterações no adolescente são
muito mais perceptíveis, e, em geral, contribuem para o seu
desenvolvimento psicossocial. Normalmente no primeiro curativo são
notadas sensíveis alterações como postura corporal
e fala mais espontânea.
Certa vez, uma adolescente de 17 anos compareceu ao consultório
queixando-se por ter mamas muito pequenas. Sua mãe dizia
que ela não ia à praia, não usava camisetas
ou outras roupas que marcavam, pois se sentia constrangida. Após
a cirurgia, a paciente retornou ao consultório muito mais
falante, com uma outra postura, era praticamente outra pessoa. É
lógico que isso varia de indivíduo para indivíduo,
mas é gratificante para o médico ver essas mudanças.
Ainda sim, com todos os benefícios, devemos lembrar que
os riscos inerentes à cirurgia, anestesia, internação
em ambiente hospitalar, medicamentos e outros fatores sempre irão
existir, e se nossa geração, que passou pela adolescência
há 20, 30 anos, resolveu suas “neuras” sem recorrer
a cirurgias, por que os adolescentes de hoje também não
podem resolvê-las da mesma maneira? Essa questão fica
em aberto.
* Hans Arteaga é especialista em cirurgia plástica pela Sociedade
Brasileira de Cirurgia Plástica. Com especialização na Itália e Sérvia
e Montenegro. É diretor clínico da Clínica de Cirurgia Plástica Anália
Franco e do Hospital Avicena em Belgrado e médico cirurgião em Roma.
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| Pílulas
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| » A cirurgia plástica
em adolescente deve ser a última alternativa
para a resolução de um problema
» A prótese de silicone será sempre
um corpo estranho, só a coloque se realmente
houver necessidade
» Só faça a cirurgia plástica
se o problema realmente incomodar, nunca faça
porque as outras
pessoas querem
» O paciente precisa sentir segurança
e confiar no médico. Procure um profissonal que
ofereça isso
» Um menor deve sempre ir ao consultório
com seus responsáveis
» Cirurgias na mama não aumentam a incidência
de câncer |
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