Reportagens  
Rodrigo, Bianca e Luciano: “Ralamos para caramba até chegar aqui”, diz ela
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Música
A cara nova do rock nacional

Com letras no feminino da vocalista Bianca Jhordão, grupo Leela cruza a fronteira do circuito underground, abre os shows de Avril Lavigne no Brasil e concorre ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Rock Brasileiro
texto: Mariana Kalil
foto: LEANDRO PIMENTEL
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Até a roqueira canadense Avril Lavigne desembarcar no Brasil, na quarta-feira 21, e iniciar uma turnê que passou por Porto Alegre, Curitiba, Rio e São Paulo, Leela era o nome de um grupo musical pronunciado apenas no circuito underground e em festivais de rock alternativo. Escolhida como atração de abertura dos shows de Avril, a banda passou a desenhar novos traços no cenário da música nacional. A turnê, tudo indica, foi apenas um prenúncio do que está por vir. Na quinta-feira 29, o quarteto liderado pela vocalista Bianca Jhordão – eleita por Gente uma das 25 mulheres mais sexy de 2005 – concorre ao Video Music Brasil, o prêmio da MTV, na categoria Artista Revelação. No sábado 1º, poderá brindar a conquista da estatueta de Revelação do Ano concedida pelo canal Nickelodeon durante a festa Meus Prêmios Nick. Há mais: o grupo disputa, em novembro, o Grammy Latino na categoria Álbum de Rock Brasileiro. “Não estamos acreditando”, vibra Bianca. “Esses momentos têm sido muito bacanas, mas ralamos para caramba até chegar aqui.”

O Leela de Bianca (voz e guitarra), Rodrigo Brandão (guitarrista), Luciano Grossman (baterista) e Tchago (baixista, que não está na foto porque teve um problema de saúde na família ) foi assim batizado por causa de uma das aulas de filosofia freqüentadas por Bianca e Rodrigo. Casados há nove anos, eles quiseram saber do professor o significado da palavra. “Brincadeira dos deuses na filosofia hindu”, respondeu ele – e explicou: “Diz que mesmo nas grandes tragédias você consegue enxergar que alguma coisa boa está acontecendo”. Em cinco anos de estrada, o Leela já perdeu as contas de quantas vezes precisou lançar mão da dita filosofia para seguir em frente. Viagens apertadas em vans e noites de frio em abrigos improvisados Brasil afora ainda são percalços enfrentados pelo grupo – e que Bianca lembra com humor. “Você não pode ter uma banda de rock achando que vai ficar famoso e ganhar dinheiro da noite para o dia”, diz ela. “Você vai passar frio e fome, mas no final é muito compensador.”

Líder do grupo, Bianca é a imagem forte da banda. “Lógico que por ser mulher acabo chamando mais atenção”, reconhece. “Mas não sou só a bonitinha da turma. Componho minhas canções.” E compõe no feminino, caso raro no universo do rock nacional. “Acho sensacional ouvir os garotos cantarem sob o ponto de vista de uma mulher”, diverte-se. O fato de ter recebido a coroa de celebridade do quarteto não desagrada os demais integrantes. “Mulher bonita chama atenção, não tem jeito”, diz Luciano. Rodrigo, o marido, tira de letra o assédio em torno da mulher. “Sabemos nos preservar”, garante, de peito aberto para o sucesso que bate à porta.