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Segundo

No palco, Maria Rita exibe segurança incomum e mais suavidade, mas não arrebata como no
primeiro show

Mauro Ferreira

Leandro Pimentel
Maria Rita: aplausos calorosos só nas músicas
mais dramáticas, como “Santa Chuva”

Bastou Maria Rita elevar o tom e soar mais dramática ao interpretar “Santa Chuva”, música de Marcelo Camelo lançada pela cantora em seu primeiro disco, para receber no meio do número os primeiros aplausos realmente calorosos da estréia de seu novo show, Segundo, que fica em cartaz no Rio até 2 de outubro, parte para São Paulo e depois segue em turnê nacional. O figurino horroroso – um lenço estampado na cabeça e um vestido vermelho colado ao corpo que realça as gordurinhas de Rita – impressiona tanto quanto a segurança da artista no palco. Maria Rita canta com precisão incomum para seus 28 anos, domina a banda e seduz com seu bom humor, mas o fato é que, assim como o disco, Segundo, o show, não arrebata como o primeiro espetáculo
da cantora.

O roteiro curto condensa 18 músicas em pouco mais de uma hora. A leveza observada no canto do CD transparece no palco em números como “Pagu”, em que Maria Rita brinca com as palavras. Nos sambas, como “Conta Outra” e “Recado”, ela e a banda (acrescida do percussionista Da Lua, ausência sentida no disco) experimentam suingue jazzístico que não contagia. O tom sobe na leitura voz-e-piano de “Sobre Todas as Coisas”, de Chico Buarque e Edu Lobo. Mas Segundo transcorre morno. Pela grande categoria vocal da intérprete, esperava-se um êxtase que não acontece nem mesmo quando a platéia faz coro em “Encontros e Despedidas”, o tema de abertura da novela Senhora do Destino. Em tons médios