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Fotos: Divulgação

Skármeta fez sucesso com
O Carteiro e o Poeta
, sobre a amizade de Neruda com um funcionário dos correios

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Ensaio
Neruda por Skármeta
O chileno Antonio Skármeta faz leitura afetiva da vida e da obra do poeta Pablo Neruda
Dirceu Alves Jr.

O escritor Antonio Skármeta abre Neruda por Skármeta (Record, 272 págs., R$ 29,90) dizendo que o conterrâneo ilustre é um poeta com letras maiúsculas, um ícone tão marcante para o Chile quanto a Cordilheira dos Andes ou a lamentável ditadura de Pinochet. Como se alguém precisasse de justificativas para escrever um livro, mesmo que muito mais afetivo que de peso teórico, sobre a produção de Pablo Neruda.

Neruda por Skármeta é um misto de ensaio biográfico com crítica literária. Totalmente parcial ao contar a vida e explicar a importância de Neruda, Skármeta comenta a amizade com o poeta e a influência dele em seu trabalho sem abrir mão de um jogo de confetes, às vezes superficial. Mesmo depois de reconhecido por seu povo, Skármeta deve ao ídolo a fama. Como o autor do livro que inspirou O Carteiro e o Poeta, filme dirigido por Michael Radford em 1995 sobre a relação de Neruda com um funcionário dos Correios, ele viu sua literatura atravessar fronteiras e conquistou a independência financeira.

Na seleção dos 20 poemas, Skármeta analisa parte significativa dos versos de Neruda e, algumas vezes, menospreza a inteligência do leitor ao decodificar trechos e explicitar o contexto histórico. Porém o grande pecado de Neruda por Skármeta transforma-se no maior mérito: é bonito ver um artista exagerar na emoção em um tempo de racionalidade e raras idolatrias. Análise parcial do homem e do mito