| Xul Solar foi, ao mesmo tempo,
o mais moderno e o mais clássico dos artistas.
Moderno porque apontou para a condição
de esfacelamento em que se encontravam o pensamento
e a espiritualidade de sua época. Mas foi também
essencialmente clássico, porque nunca assumiu
a condição fragmentária da vida
moderna e sempre buscou, pela arte, astrologia, antroposofia,
budismo, magia e outras formas de ocultismo, a reconciliação
com a unidade perdida.
Os sinais de que o argentino Alejandro Xul Solar
(1887-1963) sempre esteve profundamente conectado
com a busca de um conhecimento superior está
em suas telas, esculturas, objetos, livros, cartas
de tarô, mapas astrais e uma série de
documentos, que hoje estão na mostra
Xul Solar – Visões e Revelações,
na Pinacoteca do Estado.
A exposição é uma oportunidade
rara de conhecer a produção de um artista
que teve como utopia a construção de
um sistema filosófico e lingüístico
unificador da América Latina. Embora nunca
tenha estado no Brasil, palavras e bandeiras pintadas
indicam que seu pensamento viajou por aqui. A exposição
paralela Diálogos Imaginários
encarrega-se de promover os encontros que nunca aconteceram
de fato e colocam Ismael Nery, Lasar Segall e Vicente
do Rego Monteiro ao lado do vizinho Xul Solar. Busca
da arte total
Pinacoteca
do Estado – Pça. da Luz, 2,
São Paulo, tel. (11) 3229-9844.
Até 30/12.
|