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Soul
Samba Raro
Max de Castro escancara suas influências em
disco de estréia
Ramiro
Zwetsch
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Foto:
Divulgacão
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Max,
filho de Simonal, cita Roberto, Erasmo, Benjor, Vandré, Ary
Barroso, Vinícius...
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Max de Castro
é filho de Wilson Simonal e, como herança, traz a proposta de fundir
soul e samba – só que três décadas mais tarde, com toda a munição
tecnológica que a modernidade lhe permite. Embora não tenha uma
voz potente, o jeito de cantar e os arranjos de algumas baladas
lembram Ed Motta. Suas letras puxam para um romantismo ao estilo
das primeiras composições da dupla Roberto e Erasmo e Max ainda
é influenciado por uma enorme gama de brasilidades que vão de Chico
Buarque a Racionais MC’s.
Tudo isso é
muito nítido em Samba Raro, disco de estréia do artista que canta,
compõe, toca guitarra, baixo, piano e ainda produz todas as bases
eletrônicas desse seu primeiro trabalho. Seu caldeirão brasileiríssimo
oferece uma degustação de vários sabores – todos pinçados do farto
cardápio da música nacional – e revela novos paladares em cada audição.
Seu coquetel de citações, que vai de Geraldo Vandré a Ary Barroso,
é criativo, mas esbarra em algumas obviedades: citar Jorge Benjor
e seu “País Tropical”, por exemplo, no rap certeiro “Rapadura” é
previsível, já que os principais porta-vozes do rap nacional não
se cansam de reverenciar o pai do samba rock. Entre as boas surpresas,
“Afro Samba” é a faixa que melhor traduz o esforço de Max em unir
influências. A levada samba funk – mais uma vez inspirada em Benjor
– combina bem com a referência a “Canto de Ossanha”, da dupla Baden
Powell e Vinícius de Moraes.
Samba Raro é
uma colagem musical – e Max admite isso sem hesitar, explicando
no encarte as referências que o inspiraram faixa a faixa – que por
enquanto ainda esconde o toque pessoal do autor, muito discreto
em meio à compilação de influências. Mesmo assim, o disco revela
um artista sincero e inventivo em arranjos. Sua salada pode ficar
ainda mais saborosa se, em um próximo trabalho, conseguir um tempero
próprio mais marcante.
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