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Fotografia
A Fotografia
na República de Weimar
Mostra traz imagens que geraram os padrões
estéticos da imprensa e da publicidade
Luiz Paulo
Labriola
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Foto:
Divulgação
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Enquadramentos
imprevistos, linhas e perspectivas ousadas na Alemanha dos
anos 30
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Foi na “República
de Weimar” (1918-1933) – período anterior à ascensão do Nazismo
– que novos atores entraram na cena política alemã. O operariado
se fortalecia, renovava-se o sistema eleitoral. A Alemanha saía
da derrota na Primeira Guerra Mundial. Esperança e desorientação
se fundiam. Em suas criações, artistas das classes médias buscavam
dar conta dessas mudanças.
Na falta de
demanda por retratos, os fotógrafos passaram a servir ao mercado
livreiro, às revistas ilustradas e à indústria da publicidade nos
anos 20. Ao mesmo tempo, expandia-se o universo da fotografia artística.
Descobria-se então o poder de convencimento da imagem e estabeleciam-se
padrões de gosto que ainda hoje exercem grande influência na mídia
e nas artes gráficas. Era preciso tirar da máquina tudo o que ela
poderia oferecer: recortes imprevistos, linhas ousadas e perspectivas
fragmentárias que mostrassem um pouco da vida e da percepção nas
grandes cidades.
A exposição
A Fotografia na República de Weimar traduz parte do esforço de jovens
fotógrafos alemães para explorar o poder sugestivo das imagens,
sobretudo a partir dos anos 30, com o impulso dado ao fotojornalismo.
As imagens expostas no Paço das Artes, em São Paulo, falam também
de um momento de confronto de forças sociais, de seus ambientes
específicos, de suas profissões. Denuncia-se a fisionomia fabril
dos centros urbanos, o entusiasmo pelas tecnologias, ao mesmo tempo
em que se descobrem os rostos severos de camponeses de regiões inexploradas.
Eles estão ao lado de imagens pioneiras de cidades vistas do alto.
O interior de um cinema (ironicamente denominado “jardim de inverno”),
fotos de fábricas, máquinas a vapor e tomadas aéreas de campos desmatados
mostram os novos hábitats da década de 30. O rosto de uma garçonete,
a mão da modelo e os corpos de acrobatas apresentam inesperados
atores da cultura.
Fragmentos
urbanos
Paço
das Artes – Av. da Universidade, 1 – São Paulo
Até 26 de março
Raoul Hausmann
– Fotografias
Pioneiro das fotomontagens transforma o mundo
com o olhar
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Foto:
Divulgação
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“L’acteur”:
fotomontagem de Hausmann
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As transformações
na Europa desde a Primeira Guerra Mundial atingiram os padrões artísticos
herdados do século 19. Nenhuma arte ficou imune às vanguardas estéticas,
mas a fotografia teve participação tardia nessa renovação. As reproduções
fotográficas já tinham mais de meio século de vida quando a fermentação
cultural da República de Weimar começou a questionar o modo como
os fotógrafos viam o mundo. Raoul Hausmann é um dos pioneiros nessa
tarefa. Cedo percebeu que a demanda por imagens corria o risco de
banalizar o olhar e julgava que a tarefa do fotógrafo era reeducar
a visão. Suas fotografias, fotomontagens, fotocolagens e fotogramas,
expostos no Paço das Artes, revelam o esforço de um notável filósofo
da arte fotográfica para fugir da obviedade das imagens e explorar
recursos que fazem da fotografia não um instrumento de reprodução,
mas de transformação da realidade (ou de descoberta daquilo que
o olhar normalmente não vê). Aproximou-a assim da pintura, mostrando
que ela pode fazer o que a própria etimologia da palavra indica:
escrever com a luz. (L.P.L.) .
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