13 de março de 2000
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A Fotografia na República de Weimar

 


Fotografia

A Fotografia na República de Weimar
Mostra traz imagens que geraram os padrões estéticos da imprensa e da publicidade

Luiz Paulo Labriola

Foto: Divulgação
Enquadramentos imprevistos, linhas e perspectivas ousadas na Alemanha dos anos 30

Foi na “República de Weimar” (1918-1933) – período anterior à ascensão do Nazismo – que novos atores entraram na cena política alemã. O operariado se fortalecia, renovava-se o sistema eleitoral. A Alemanha saía da derrota na Primeira Guerra Mundial. Esperança e desorientação se fundiam. Em suas criações, artistas das classes médias buscavam dar conta dessas mudanças.

Na falta de demanda por retratos, os fotógrafos passaram a servir ao mercado livreiro, às revistas ilustradas e à indústria da publicidade nos anos 20. Ao mesmo tempo, expandia-se o universo da fotografia artística. Descobria-se então o poder de convencimento da imagem e estabeleciam-se padrões de gosto que ainda hoje exercem grande influência na mídia e nas artes gráficas. Era preciso tirar da máquina tudo o que ela poderia oferecer: recortes imprevistos, linhas ousadas e perspectivas fragmentárias que mostrassem um pouco da vida e da percepção nas grandes cidades.

A exposição A Fotografia na República de Weimar traduz parte do esforço de jovens fotógrafos alemães para explorar o poder sugestivo das imagens, sobretudo a partir dos anos 30, com o impulso dado ao fotojornalismo. As imagens expostas no Paço das Artes, em São Paulo, falam também de um momento de confronto de forças sociais, de seus ambientes específicos, de suas profissões. Denuncia-se a fisionomia fabril dos centros urbanos, o entusiasmo pelas tecnologias, ao mesmo tempo em que se descobrem os rostos severos de camponeses de regiões inexploradas. Eles estão ao lado de imagens pioneiras de cidades vistas do alto. O interior de um cinema (ironicamente denominado “jardim de inverno”), fotos de fábricas, máquinas a vapor e tomadas aéreas de campos desmatados mostram os novos hábitats da década de 30. O rosto de uma garçonete, a mão da modelo e os corpos de acrobatas apresentam inesperados atores da cultura.

Fragmentos urbanos
Paço das Artes – Av. da Universidade, 1 – São Paulo
Até 26 de março

Raoul Hausmann – Fotografias
Pioneiro das fotomontagens transforma o mundo com o olhar

Foto: Divulgação
“L’acteur”: fotomontagem de Hausmann

As transformações na Europa desde a Primeira Guerra Mundial atingiram os padrões artísticos herdados do século 19. Nenhuma arte ficou imune às vanguardas estéticas, mas a fotografia teve participação tardia nessa renovação. As reproduções fotográficas já tinham mais de meio século de vida quando a fermentação cultural da República de Weimar começou a questionar o modo como os fotógrafos viam o mundo. Raoul Hausmann é um dos pioneiros nessa tarefa. Cedo percebeu que a demanda por imagens corria o risco de banalizar o olhar e julgava que a tarefa do fotógrafo era reeducar a visão. Suas fotografias, fotomontagens, fotocolagens e fotogramas, expostos no Paço das Artes, revelam o esforço de um notável filósofo da arte fotográfica para fugir da obviedade das imagens e explorar recursos que fazem da fotografia não um instrumento de reprodução, mas de transformação da realidade (ou de descoberta daquilo que o olhar normalmente não vê). Aproximou-a assim da pintura, mostrando que ela pode fazer o que a própria etimologia da palavra indica: escrever com a luz. (L.P.L.) .

O filósofo da imagem
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