13 de março de 2000
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Zelito interpreta Villa-Lobos

Wladimir Weltman,
de Los Angeles

Foto: The Grosby Group
Zelito Viana: “Hollywood está passando por uma crise de criatividade”

O cineasta Zelito Viana, 61 anos, costuma dizer que o fato de ser irmão de Chico Anysio salvou-o duas vezes da cadeia durante o regime militar. “Hoje ele anda muito briguento, mas naquele tempo todo mundo adorava ele”, diz Zelito. “Agora a coisa mudou: não sou mais o irmão do Chico, sou o pai do Marcos Palmeira.” No próximo mês, Zelito será reconhecido por outro motivo: no fim de abril, ele lança Villa-Lobos, uma cinebiografia do maior compositor erudito brasileiro. No filme, Zelito deu ao filho Marcos Palmeira um trabalho e tanto: interpretar Villa-Lobos quando jovem. Já o maestro em sua maturidade ficou a cargo de Antonio Fagundes.

Apesar de ser um filme de época, Villa-Lobos conta com alguns dos mais modernos recursos de finalização. “Finalizamos a banda sonora em Los Angeles”, conta Zelito. “Contratamos Joe Moss, um dos melhores editores de som, que já mixou discos do Tom Jobim e do João Gilberto. Também aproveitamos para realizar alguns efeitos digitais óticos, pois o filme tem uns sete minutos de efeitos visuais.” Mas não apenas a etapa final foi realizada na capital do cinema americano. O cineasta conta que o projeto também começou em Los Angeles: a câmera, o gravador digital e o guarda-roupa do elenco foram alugados nos estúdios da Warner Bros. e da Paramount. “Naquele tempo do real igual ao dólar, um smoking custava R$ 100 no Rio e US$ 10 em Los Angeles. O maquiador que usamos no filme também veio de Hollywood”, diz ele.

Zelito ainda não sabe se Villa-Lobos será vendido no mercado americano, mas tem fé na carreira de seu sétimo longa-metragem em festivais internacionais. “Hollywood está passando por uma crise de criatividade. Bons filmes contam-se nos dedos. Os grandes estúdios abriram divisões para produções mais artísticas e estão procurando pelo mundo novos talentos”, opina Zelito. “No ano em que Central do Brasil concorreu ao Oscar, todos os filmes estrangeiros eram ótimos. O que confirma que o que está vindo de fora é mais interessante e mostra que há mais chances para nós, que fazemos um cinema mais barato. Nessa categoria, Villa-Lobos se enquadra.”

Segundo o diretor, este é um filme sobre um artista e suas relações humanas, seus problemas de criação, de afirmação, suas possibilidades concretas de trabalho e suas mulheres. “Nunca esquecendo que tem a seu favor uma trilha sonora maravilhosa, que dá de dez a zero em qualquer outra. Trata-se de uma trilha sonora assinada por Villa Lobos!” E para levar às telas essa música especial, Zelito reuniu a fina flor da música erudita brasileira: gravou com a Orquestra Sinfônica Brasileira, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com Turibio Santos no violão e Miguel Proença no piano. “O público vai ouvir coisas inéditas e que jamais foram registradas com essa tecnologia. Vai ser um incremento na memória de Villa na cultura nacional”, acredita o cineasta.

Formado em Engenharia Metalúrgica e original de uma família tradicionalmente artística, Zelito só se rendeu às artes aos 46 anos, quando deixou a engenharia para fundar com Glauber Rocha e Walter Lima Jr. uma produtora de filmes. “Enquanto era engenheiro, estava tudo bem, mas foi só mudar para cineasta que passei a ser visto de uma forma diferente. Sou olhado de lado, respeitado em certo sentido. Aquele respeito que se tem pelos loucos”, diz ele, que acredita ter herdado o dom artístico da mãe, que era compositora. “Ela tinha ouvido absoluto. Aprendeu a tocar piano num teclado pintado numa tábua de madeira. Tinha uma musicalidade impressionante. Chico também compôs e é pintor. Eu era o único normal, mas aí o vírus da família me pegou e também desandei”, conta ele. Zelito só lamenta mesmo que as fãs de seu filho Marcos não identifiquem no resto da família a mesma sensualidade do galã da tevê, que foi eleito em dezembro como o mais sedutor da tevê brasileira pelos leitores de Gente.

 

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