|
Perfil
Zelito interpreta
Villa-Lobos
Wladimir
Weltman,
de Los Angeles
| Foto: The
Grosby Group |
 |
|
Zelito
Viana: “Hollywood está passando por uma crise de criatividade”
|
O cineasta Zelito
Viana, 61 anos, costuma dizer que o fato de ser irmão de Chico Anysio
salvou-o duas vezes da cadeia durante o regime militar. “Hoje ele
anda muito briguento, mas naquele tempo todo mundo adorava ele”,
diz Zelito. “Agora a coisa mudou: não sou mais o irmão do Chico,
sou o pai do Marcos Palmeira.” No próximo mês, Zelito será reconhecido
por outro motivo: no fim de abril, ele lança Villa-Lobos, uma cinebiografia
do maior compositor erudito brasileiro. No filme, Zelito deu ao
filho Marcos Palmeira um trabalho e tanto: interpretar Villa-Lobos
quando jovem. Já o maestro em sua maturidade ficou a cargo de Antonio
Fagundes.
Apesar de ser
um filme de época, Villa-Lobos conta com alguns dos mais modernos
recursos de finalização. “Finalizamos a banda sonora em Los Angeles”,
conta Zelito. “Contratamos Joe Moss, um dos melhores editores de
som, que já mixou discos do Tom Jobim e do João Gilberto. Também
aproveitamos para realizar alguns efeitos digitais óticos, pois
o filme tem uns sete minutos de efeitos visuais.” Mas não apenas
a etapa final foi realizada na capital do cinema americano. O cineasta
conta que o projeto também começou em Los Angeles: a câmera, o gravador
digital e o guarda-roupa do elenco foram alugados nos estúdios da
Warner Bros. e da Paramount. “Naquele tempo do real igual ao dólar,
um smoking custava R$ 100 no Rio e US$ 10 em Los Angeles. O maquiador
que usamos no filme também veio de Hollywood”, diz ele.
Zelito ainda
não sabe se Villa-Lobos será vendido no mercado americano, mas tem
fé na carreira de seu sétimo longa-metragem em festivais internacionais.
“Hollywood está passando por uma crise de criatividade. Bons filmes
contam-se nos dedos. Os grandes estúdios abriram divisões para produções
mais artísticas e estão procurando pelo mundo novos talentos”, opina
Zelito. “No ano em que Central do Brasil concorreu ao Oscar, todos
os filmes estrangeiros eram ótimos. O que confirma que o que está
vindo de fora é mais interessante e mostra que há mais chances para
nós, que fazemos um cinema mais barato. Nessa categoria, Villa-Lobos
se enquadra.”
Segundo o diretor,
este é um filme sobre um artista e suas relações humanas, seus problemas
de criação, de afirmação, suas possibilidades concretas de trabalho
e suas mulheres. “Nunca esquecendo que tem a seu favor uma trilha
sonora maravilhosa, que dá de dez a zero em qualquer outra. Trata-se
de uma trilha sonora assinada por Villa Lobos!” E para levar às
telas essa música especial, Zelito reuniu a fina flor da música
erudita brasileira: gravou com a Orquestra Sinfônica Brasileira,
no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com Turibio Santos no violão
e Miguel Proença no piano. “O público vai ouvir coisas inéditas
e que jamais foram registradas com essa tecnologia. Vai ser um incremento
na memória de Villa na cultura nacional”, acredita o cineasta.
Formado em Engenharia
Metalúrgica e original de uma família tradicionalmente artística,
Zelito só se rendeu às artes aos 46 anos, quando deixou a engenharia
para fundar com Glauber Rocha e Walter Lima Jr. uma produtora de
filmes. “Enquanto era engenheiro, estava tudo bem, mas foi só mudar
para cineasta que passei a ser visto de uma forma diferente. Sou
olhado de lado, respeitado em certo sentido. Aquele respeito que
se tem pelos loucos”, diz ele, que acredita ter herdado o dom artístico
da mãe, que era compositora. “Ela tinha ouvido absoluto. Aprendeu
a tocar piano num teclado pintado numa tábua de madeira. Tinha uma
musicalidade impressionante. Chico também compôs e é pintor. Eu
era o único normal, mas aí o vírus da família me pegou e também
desandei”, conta ele. Zelito só lamenta mesmo que as fãs de seu
filho Marcos não identifiquem no resto da família a mesma sensualidade
do galã da tevê, que foi eleito em dezembro como o mais sedutor
da tevê brasileira pelos leitores de Gente.
|