13 de março de 2000
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ARTE: Álvaro Ferreira

Feiticeira de Norte a Sul

Os preparativos começaram na quinta-feira 2. No ano 2000, o Carnaval dos 500 anos montava passarela para o Brasil passar. E, de norte a sul, a paulista Joana Prado se materializaria quase que simultaneamente em todas as festas, camarotes, desfiles, avenidas ou flashes televisivos.

A musa da folia 2000 embarcou em São Paulo no vôo KK 350 com destino a Salvador para abrir os festejos baianos. Não falou com ninguém durante o vôo, pouco comeu e escondeu o rosto com óculos escuros. Joana virou a Feiticeira, criada pela tevê, nos primeiros acordes dos trios elétricos da Bahia, abertos por Margareth Menezes. Passou pelo trio do garoto-revelação Xandy.

E de véu, mas sem fantasia, aportou no camarote de Daniela Mercury. Divertiu os convidados tentando vencer o obstáculo do cardápio da anfitriã, na tentativa de comer sushi com palitinhos sem tirar o véu. Tudo ao som de música tecno, escolhida pela precursora do axé. Saiu-se bem. E rápido.

No sábado 4, já estava em São Paulo. A capital paulista, que ampliou para dois os dias de seus desfiles na avenida para melhor mostrar seus 14 enredos sobre escravos, índios e colonizadores, teve seu apogeu com a chegada de Joana, destaque da campeã Vai-Vai. Antes de ir para a concentracão, Joana atendeu aos apelos e foi para o camarote oficial, cumprimentar o prefeito Celso Pitta.

No final da apresentação, já na manhã de domingo, seus três seguranças não foram suficientes para protegê-la do assédio na dispersão e ela saiu do alto do carro alegórico da escola carregada por uma empilhadeira. “Está tudo bem, tudo bem”, dizia, com os olhos amedrontados pela altura a que era içada. Sem brechas na agenda, Feiticeira estava nova em folha no Rio, na segunda-feira 6.

Vetada na Mangueira, que exigiu que ela tirasse o véu para desfilar, foi acolhida como odalisca pelo Salgueiro, a terceira escola a entrar na Marquês de Sapucaí, naquela noite. “Só tem uma palavra para definir o que estou sentindo: ansiedade e felicidade”, resumiu – em duas palavras. Depois, desabafou: “Fiquei magoada com a Mangueira, agora sou Salgueiro para sempre”. Pelo menos, até o próximo Carnaval.

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