|

 |
|
ARTE:
Álvaro Ferreira
|
Feiticeira
de Norte a Sul
Os preparativos
começaram na quinta-feira 2. No ano 2000, o Carnaval dos 500 anos
montava passarela para o Brasil passar. E, de norte a sul, a paulista
Joana Prado se materializaria quase que simultaneamente em todas
as festas, camarotes, desfiles, avenidas ou flashes televisivos.
A musa da folia
2000 embarcou em São Paulo no vôo KK 350 com destino a Salvador
para abrir os festejos baianos. Não falou com ninguém durante o
vôo, pouco comeu e escondeu o rosto com óculos escuros. Joana virou
a Feiticeira, criada pela tevê, nos primeiros acordes dos trios
elétricos da Bahia, abertos por Margareth Menezes. Passou pelo trio
do garoto-revelação Xandy.
E de véu, mas
sem fantasia, aportou no camarote de Daniela Mercury. Divertiu os
convidados tentando vencer o obstáculo do cardápio da anfitriã,
na tentativa de comer sushi com palitinhos sem tirar o véu. Tudo
ao som de música tecno, escolhida pela precursora do axé. Saiu-se
bem. E rápido.
No sábado 4,
já estava em São Paulo. A capital paulista, que ampliou para dois
os dias de seus desfiles na avenida para melhor mostrar seus 14
enredos sobre escravos, índios e colonizadores, teve seu apogeu
com a chegada de Joana, destaque da campeã Vai-Vai. Antes de ir
para a concentracão, Joana atendeu aos apelos e foi para o camarote
oficial, cumprimentar o prefeito Celso Pitta.
No final da
apresentação, já na manhã de domingo, seus três seguranças não foram
suficientes para protegê-la do assédio na dispersão e ela saiu do
alto do carro alegórico da escola carregada por uma empilhadeira.
“Está tudo bem, tudo bem”, dizia, com os olhos amedrontados pela
altura a que era içada. Sem brechas na agenda, Feiticeira estava
nova em folha no Rio, na segunda-feira 6.
Vetada na Mangueira,
que exigiu que ela tirasse o véu para desfilar, foi acolhida como
odalisca pelo Salgueiro, a terceira escola a entrar na Marquês de
Sapucaí, naquela noite. “Só tem uma palavra para definir o que estou
sentindo: ansiedade e felicidade”, resumiu – em duas palavras. Depois,
desabafou: “Fiquei magoada com a Mangueira, agora sou Salgueiro
para sempre”. Pelo menos, até o próximo Carnaval.
|