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Marjorie disputa hoje com Zeca Pagodinho o título de campeão de vendas entre os lançamentos da gravadora Universal este ano
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Carreira
Sucesso em dose dupla

Marjorie Estiano se lança como cantora ancorada na popularidade da Vagabanda, de Malhação, e vende
mais de 100 mil cópias de seu primeiro CD
texto: Carla Felícia
foto: Leandro Pimentel
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Foram inúmeras as vezes que Marjorie Estiano se imaginou levando para casa o Grammy de cantora revelação. Chegava a bolar o discurso de agradecimento, com honras à família, aos amigos, à gravadora. Aquele não era, porém, seu único sonho. Dividia espaço com outro, bem parecido, no qual ela também ganhava um prêmio: o Oscar de melhor atriz. A convicção de que seguiria uma das duas carreiras a acompanhou na adolescência. Marjorie cresceu em Curitiba estudando teatro e canto, tendo em mente que um dia precisaria optar por uma de suas paixões. Estava errada. Hoje, aos 23 anos, na esteira do sucesso como atriz em Malhação, conseguiu a proeza de estourar também como cantora.

Lançou um CD, que leva seu nome, e vendeu 125 mil cópias em apenas quatro meses. Já disputa com Zeca Pagodinho o título de campeão de vendas entre os lançamentos da gravadora Universal este ano. Não levou um Grammy, mas um Disco de Platina. “Estou surpresa”, diz ela. “É uma sensação muito louca, muito fora da minha realidade.” Ser o centro das atenções numa casa de shows, diante de quatro mil pessoas cantando suas músicas, é experiência recente à qual ainda tenta se acostumar. Quando se conhece a Marjorie que vive fora da tevê e dos palcos, porém, é fácil entender essa dificuldade.

A timidez fica evidente na boina enterrada na cabeça, quase escondendo o rosto de menina; no olhar, que volta e meia se dirige ao chão e dificilmente encara o interlocutor; na voz, que muitas vezes se torna inaudível, de tão baixa. Quando ela canta, porém, a suavidade logo se converte em força. Quando ouviu Marjorie pela primeira vez, o diretor musical de Malhação, Victor Pozas, percebeu esse poder. Foi em uma das primeiras reuniões do novo elenco da novela, no início do ano passado. Recém-saída da Oficina de Atores da Globo, a atriz estrearia no papel da vilã Natasha, baixista da fictícia Vagabanda. Victor pediu que ela cantasse. Ouviu a clássica “Fever”, sucesso nas vozes de Elvis Presley e Madonna, e ficou impressionado.

“Marjorie tem alma negra, nasceu cantando. Não há como
aprender a cantar do jeito dela. Ela tem identidade vocal, carisma na voz. Isso não se ensina”, diz o produtor. Não demorou para que Natasha virasse também vocalista da Vagabanda, que passou
a tocar músicas próprias, além de covers. A primeira foi “Você Sempre Será”. Fez tanto sucesso com o público da novela que entrou no CD de Malhação e hoje, em nova versão, é o carro-chefe do álbum da atriz-cantora. Mas Marjorie mantém os pés no chão: sabe que deve muito desse alarde aos adolescentes que assistem Malhação e que, um dia, isso vai passar. “Não tenho medo de vir a tocar num bar gordurento para 15 pessoas ou fazer uma peça com 20 pessoas na platéia. Não preciso de muito.”