A corte
 
por Cecília Maia
Fotos: Felipe Barra
.: Orações do relator da CPI dos correios

O relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) sempre recorre às orações. Nos últimos tempos tem rezado mais, pedindo para não ser injusto com os 18 parlamentares, citados nos depoimentos, sobre os quais prepara relatório sugerindo investigação. “Até sexta-feira, 2, entrego o documento à Comissão de Ética”, garante. Tamanha responsabilidade tem feito do relator um homem ainda mais introvertido do que ele é. Quase não sorri, não demonstra emoção e jamais conversa sobre assunto fora da política. À Gente, no entanto, ele fez essa concessão e, emocionado, falou de sua única filha, Ana Beatriz, 4 anos. “É triste ver a saudade que ela sente de mim”, comenta. Aos 57 anos, Serraglio vive o drama de ter ou não mais filhos. “Sempre tive um espírito nômade, então fico muito fora de casa”, explica. O gaúcho de Erechim, que chegou aos 15 anos com os pais e os cinco irmãos no Paraná em busca de oportunidade, viveu a maior parte de sua vida sozinho. Integrante da Pastoral Parlamentar Católica, o ex-seminarista, que se dedicava somente à igreja e ao trabalho de advogado, nem pensava em se casar, mas foi traído por uma paixão. Caiu de amores pela aluna Tânia Maria, 14 anos mais nova, na Universidade Paranaense, onde dá aulas. Há 9 anos trocou alianças. “Hoje elas são tudo para mim”, garante. “Por isso penso em deixar a política. Só não sei se
vou conseguir.”

Fotos: Felipe Barra
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.: Enquanto isso, na sala cofre da CPI...

A chamada Sala Cofre, no porão do Senado Federal, guarda os mais cabeludos segredos da CPI dos Correios. Por uma tarde, Gente teve acesso a ela, onde 13 consultores e 20 funcionários de apoio trabalham no mínimo 13 horas por dia. Sobre as mesas ou empilhados nas estantes estão mais de 4 mil documentos. Mas, lacrados em caixas, eles chegam a toda hora sob os olhares curiosos dos parlamentares que vivem por lá. Alguns preocupados, outros agitados e muitos nervosos querem saber o que dizem os papéis. “Quando o movimento aumenta, pode saber, lá vem bomba!”, diz um funcionário que não quis se identificar. Os documentos secretíssimos vão para a última das dez salas, onde 5 câmeras filmam o tempo todo. “Acabou aquela história da gente ver o documento nas manchetes dos jornais sem que apareça o responsável. Quem entra aqui agora é filmado”, diz a secretária da CPI, Cleide Cruz.

 

Fotos: Felipe Barra
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Fotos: Felipe Barra
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Fotos: Felipe Barra
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Enquanto documentos são catalogados, a senadora Ideli Salvati (PT-SC) toma um cafezinho na cozinha da Sala Cofre com o assessor Felipe Mescolatto (1). Documentos chegam a toda hora para serem catalogados (2). O deputado Onyx Lorenzoni (PFL-RS) pesquisa sobre os empréstimos do PT ao presidente Lula entre os documentos do Banco do Brasil (3). O delegado André Luiz Epifânio, da Polícia Federal, que foi designado para ajudar na investigação, almoça na Sala Cofre (4).
.: Esplanada

Felipe Barra
Denise Frossard presenteia Heloísa Helena
» A senadora Heloísa Helena (PSOL-AL), que sempre guarda os lugares na CPI da deputada Denise Frossard (PPS-RJ) e dos senadores Jefferson Peres (PDT-AM) e Pedro Simon (PMDB-RS) – conhecidos como os 4 mosqueteiros – ficou emocionada na semana passada. Ao entrar na sala, Denise Frossard depositou à sua frente uma caixinha branca fechada por um laço igualmente branco. Feliz com a surpresa, a senadora abriu o embrulho e levou um susto ao ver um par de brincos de pérola. “São lindos e delicados!!”, exclamou. Tudo porque Heloísa Helena havia elogiado um brinco da deputada na sessão anterior.

Felipe Barra
Delcídio e a cobra da mamãe
» O presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS) adora falar sobre o pantanal. Especialmente sobre sua mãe, uma pantaneira que aos 71 anos cuida sozinha de uma fazenda de gado e ainda monta a cavalo como se tivesse 20. Dona Rosely certa vez se deparou com uma cobra na varanda de sua casa. Era noite e ela decidiu não atirar para não estragar o piso que era novo. Sentou-se diante da cobra com a arma na mão e esperou. “A cobra dormiu e ela ficou lá, corujando”, disse ele. No dia seguinte dona Rosely viu a cobra acordar, espreguiçar e aí deu o tiro certeiro, sem estragar o piso. “E eu que nem sabia que cobra espreguiçava.”