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O cantor gravou uma bossa nova em italiano e um sucesso do repertório de Elvis Presley
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Cru
Seu Jorge alterna sambas com bossa nova
e baladas em disco poliglota
Mauro Ferreira

A participação de Seu Jorge como ator no filme Cidade de Deus abriu o mercado europeu para o artista. Revelado nos anos 90 como vocalista do efêmero grupo Farofa Carioca, Jorge virou ídolo no Velho Continente. Prova de seu prestígio é um contrato na França, com os selos Favela Chic e Naïve, por onde gravou no ano passado seu segundo disco solo, Cru, que sai apenas agora no Brasil. Com o bom CD, Jorge apaga a má impressão de sua participação na trilha do filme A Vida Marinha com Steve Zissou, em que cantava pálidas versões de músicas de
David Bowie.

Cru não é um disco de sambas, como se poderia esperar preconceituosamente de um artista negro brasileiro incensado na Europa por seu suingue. Tem samba no início do CD (“Tive Razão”) e no fim (a oportuna regravação de “Eu Sou Favela”, de Noca da Portela e Sérgio Mosca). Mas, poliglota, Jorge se dá ao luxo de passear por uma bossa nova cantada em italiano (“Fiore de la Città”) e até de fazer incursão pelo repertório de Elvis Presley, encorpando sua voz grave na balada “Don’t”, gravada em inglês.

Como compositor, ele está em forma na canção “São Gonça”, de dolorido tom bluesy. É o destaque de um repertório embalado de forma minimalista com violão, cavaquinho, percussão e discretos efeitos eletrônicos. É cru, mas tem substância, ainda que fique um pouco aquém de Samba Esporte Fino (2001), sua consagradora estréia solo.
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