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Missy Elliott reencontra a inspiração em CD com
o clima retrô dos anos 80
José Flávio Júnior
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Rapper grava disco à altura dos trabalhos iniciais

Um escorregão e Missy Elliott já começava a ser olhada com desconfiança pela comunidade hip hop. This Is Not A Test!, seu álbum de 2003, saiu frouxo, sem uma grande canção e deixou um ponto de interrogação no ar. Conseguiria Missy reencontrar a inspiração de Miss E... So Adictive (2001) e Under Construction (2002)?

O primeiro passo foi bem dado. A rapper e produtora deu um tempo com a “prática” de lançar um disco por ano. Afinal, ninguém precisa mais disso para permanecer no topo. Taí o Radiohead e seus longos hiatos para provar que o presente é espaçado. Outro acerto de Missy foi reforçar o apelo revivalista de suas produções. Maravilhas como “Lose Control”, “We Run This” e “Irresistible Delicious” exalam um forte perfume anos 80, época em que o rap era muito mais vibrante e estava livre de clichês. O troféu retrô vai para a sensual “Meltdown”, dos versos “Se você for meu único homem, não ligo de provar sua varinha de condão (...) Aposto que ela tem gosto de doce, feita para desmanchar na minha boca”.

Boa também é a seleção de convidados. A veterana Mary J. Blige brilha em “My Struggles” e a novata M.I.A. rouba a cena em “Bad Man”, que tem em sua batida algo de carnavalesco. Já os rapazes do Neptunes se repetem em “On & On”, uma das faixas chatinhas do CD. Mas Missy parece ter voltado aos trilhos. Túnel do tempo