| Ao tratar de encontros e desencontros
em uma Lisboa cosmopolita, os romances Sei Lá
e Não Há Coincidências renderam
a Margarida Rebelo Pinto comparações com o
seriado Sex & the City e o best-seller O
Diário de Bridget Jones. Dona de uma prosa moderna
e fluente, a autora portuguesa encerra a trilogia sobre
o universo das balzaquianas com Alma de Pássaro
(Record, R$ 34,90, 304 págs) e traça o perfil
de três mulheres, cada uma enredada em problemas pessoais.
Inês se sente insegura ao lado do namorado mais moço,
enquanto Teresa sofre com a dependência química
do marido e Ana luta para engravidar.
Alma de Pássaro ganha em delicadeza ao
abordar as dificuldades e os prazeres da maternidade, principalmente
através de Inês, que perdeu a mãe e
tem uma filha de cinco anos. A presença de dois narradores,
Inês e seu namorado Miguel, proporciona ao leitor
um mergulho nos universos feminino e masculino. Psicologicamente
densa e bem construída, Inês é uma personagem
com quem a leitora se identifica facilmente. O problema
é as mulheres, o alvo do livro, aceitarem as posições
de Miguel.
Aparentemente contraditório e inverossímil,
ele oferece razões pelas quais um homem abandona
a relação tendo uma atitude feminina como
justificativa. Margarida se rende ao conservadorismo em
nome das leitoras e adota a mensagem de que as mulheres
precisam de amor para encontrar a felicidade. Já
os homens apenas negam o sentimento. Discurso feminino
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