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A autora portuguesa aborda com delicadeza as dificuldades e os prazeres da maternidade

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Romance
Alma de Pássaro
Margarida Rebelo Pinto traça o perfil de três balzaquianas e adota o conservadorismo ao falar da diferença dos sexos
Adriana Morelli

Ao tratar de encontros e desencontros em uma Lisboa cosmopolita, os romances Sei Lá e Não Há Coincidências renderam a Margarida Rebelo Pinto comparações com o seriado Sex & the City e o best-seller O Diário de Bridget Jones. Dona de uma prosa moderna e fluente, a autora portuguesa encerra a trilogia sobre o universo das balzaquianas com Alma de Pássaro (Record, R$ 34,90, 304 págs) e traça o perfil de três mulheres, cada uma enredada em problemas pessoais. Inês se sente insegura ao lado do namorado mais moço, enquanto Teresa sofre com a dependência química do marido e Ana luta para engravidar.

Alma de Pássaro ganha em delicadeza ao abordar as dificuldades e os prazeres da maternidade, principalmente através de Inês, que perdeu a mãe e tem uma filha de cinco anos. A presença de dois narradores, Inês e seu namorado Miguel, proporciona ao leitor um mergulho nos universos feminino e masculino. Psicologicamente densa e bem construída, Inês é uma personagem com quem a leitora se identifica facilmente. O problema é as mulheres, o alvo do livro, aceitarem as posições de Miguel.

Aparentemente contraditório e inverossímil, ele oferece razões pelas quais um homem abandona a relação tendo uma atitude feminina como justificativa. Margarida se rende ao conservadorismo em nome das leitoras e adota a mensagem de que as mulheres precisam de amor para encontrar a felicidade. Já os homens apenas negam o sentimento. Discurso feminino