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| Kate
Hudson é a bela enfermeira que vai cuidar de
um paciente em uma casa amaldiçoada |
O sul dos Estados Unidos, mais precisamente a região
pantanosa de Nova Orleans, é o cenário do longa-metragem
A Chave Mestra e foi, muitas vezes, tratado no cinema
como um ambiente primitivo e exótico. Esse olhar preconceituoso
que limita a região à prática de rituais
africanos e ao clima boêmio do berço do blues
parece vir de pessoas que entendem a cultura negra como algo
bizarro ou até mesmo ameaçador. Partindo desse
contraponto entre o norte e o sul dos Estados Unidos, o cinema
já ganhou obras extraordinárias, como Coração
Satânico e Mississipi em Chamas, ambas
realizadas por Alan Parker na segunda metade da década
de 80. Infelizmente, não é o mesmo caso dessa
trama de suspense dirigida por Iain Softley.
O cineasta de A Chave Mestra focou sua câmera
em Nova Orleans, olhando tanto para os shows de blues como
para a rotina da enfermeira Caroline Ellis (Kate Hudson).
A bela jovem não suporta a morte inglória de
seus pacientes, todos velhinhos abandonados pela família
em hospitais ordinários, e tenta dignificar seu ofício
aceitando a proposta para cuidar de um doente terminal (John
Hurt) numa mansão dos pântanos. Não demora
muito para Caroline perceber que há algo de estranho
naquele lugar, o que é logo confirmado pela sinistra
mulher do enfermo, Violet Devereaux (Gena Rowlands). Décadas
atrás, um casal de serviçais negros foi morto
pelo patrão por praticar feitiçaria na casa
e a rotina dos que ali viveram jamais foi a mesma. Branca
e culta, a mocinha não acredita em misticismos, mas
não demora a suspeitar de que Violet pode ter a intenção
de matar o marido.
O cineasta Iain Softley, que já dirigiu K-Pax,
demonstra segurança na condução da história.
A Chave Mestra apresenta uma montagem acelerada
que dignifica os momentos de suspense e enquadramentos abertos
para mostrar bem os ambientes. O filme perde brilho mesmo
é nesse registro dos contrastes culturais que aponta
o cotidiano dos negros pobres como algo sinistro e na perfeição
estética de Kate Hudson em oposição à
feiúra enrugada e encardida do local. A resolução
se torna esperta, porém, ao remeter ao físico
da atriz para concluir sobre o quanto a bela e contemporânea
mocinha pode ou não acreditar em algo tão “atrasado”.
Uma questão de imagem
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