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A Chave Mestra

Iain Softley se mostra seguro na condução da história ambientada no sul dos Estados Unidos, mas perde pontos com visão preconceituosa

Paulo Santos Lima

Divulgação
Kate Hudson é a bela enfermeira que vai cuidar de um paciente em uma casa amaldiçoada

O sul dos Estados Unidos, mais precisamente a região pantanosa de Nova Orleans, é o cenário do longa-metragem A Chave Mestra e foi, muitas vezes, tratado no cinema como um ambiente primitivo e exótico. Esse olhar preconceituoso que limita a região à prática de rituais africanos e ao clima boêmio do berço do blues parece vir de pessoas que entendem a cultura negra como algo bizarro ou até mesmo ameaçador. Partindo desse contraponto entre o norte e o sul dos Estados Unidos, o cinema já ganhou obras extraordinárias, como Coração Satânico e Mississipi em Chamas, ambas realizadas por Alan Parker na segunda metade da década de 80. Infelizmente, não é o mesmo caso dessa trama de suspense dirigida por Iain Softley.

O cineasta de A Chave Mestra focou sua câmera em Nova Orleans, olhando tanto para os shows de blues como para a rotina da enfermeira Caroline Ellis (Kate Hudson). A bela jovem não suporta a morte inglória de seus pacientes, todos velhinhos abandonados pela família em hospitais ordinários, e tenta dignificar seu ofício aceitando a proposta para cuidar de um doente terminal (John Hurt) numa mansão dos pântanos. Não demora muito para Caroline perceber que há algo de estranho naquele lugar, o que é logo confirmado pela sinistra mulher do enfermo, Violet Devereaux (Gena Rowlands). Décadas atrás, um casal de serviçais negros foi morto pelo patrão por praticar feitiçaria na casa e a rotina dos que ali viveram jamais foi a mesma. Branca e culta, a mocinha não acredita em misticismos, mas não demora a suspeitar de que Violet pode ter a intenção de matar o marido.

O cineasta Iain Softley, que já dirigiu K-Pax, demonstra segurança na condução da história. A Chave Mestra apresenta uma montagem acelerada que dignifica os momentos de suspense e enquadramentos abertos para mostrar bem os ambientes. O filme perde brilho mesmo é nesse registro dos contrastes culturais que aponta o cotidiano dos negros pobres como algo sinistro e na perfeição estética de Kate Hudson em oposição à feiúra enrugada e encardida do local. A resolução se torna esperta, porém, ao remeter ao físico da atriz para concluir sobre o quanto a bela e contemporânea mocinha pode ou não acreditar em algo tão “atrasado”. Uma questão de imagem