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Casa Vazia
O diretor sul-coreano Kim Ki-duk evita riscos para agradar ao público romântico

Paulo Santos Lima

Divulgação
Filme muda de enfoque para abordar as
relações humanas

Longe do trocadilho, Casa Vazia é um filme de ausências. Uma delas é a da palavra. O protagonista é um solitário que executa em silêncio seu plano de invadir residências cujos donos estão viajando. A idéia não é roubar, mas sim morar, inclusive assumindo o papel de proprietário, consertando as tranqueiras até então quebradas. É uma ausência como imagem também, uma vez que sua presença nas casas jamais ultrapassa a de um espectro.

Mais tarde, ele entrará numa residência cuja dona apanha do homem que a sustenta. Apaixonam-se e partem para a rua, como em O Demônio das Onze Horas, de Jean-Luc Godard, no qual os amantes fogem pelo mundo para encontrar um projeto existencial e político. No caso do satisfatório filme de Kim Ki-duk, entretanto, há também a ausência de algo além do reles caso de amor do casal.

Casa Vazia carece é de uma outra ausência, a de um projeto. O longa começa soberbamente, mostrando, só com imagens, a relação entre homem e espaço. Logo, ele segue por outro caminho, o das histórias românticas, e as imagens quase se banalizam para falar das relações humanas. Talvez porque falte a Kim Ki-duk, diretor do extraordinário Código Desconhecido, certa mão para a dramaturgia romanesca. Ou, quem sabe, um certo traquejo para levar a cabo uma discussão extremamente cinematográfica, que é esta do homem tentando seu encaixe no mundo. Construção satisfatória