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| Filme
muda de enfoque para abordar as
relações humanas |
Longe do trocadilho, Casa Vazia é um filme
de ausências. Uma delas é a da palavra. O protagonista
é um solitário que executa em silêncio
seu plano de invadir residências cujos donos estão
viajando. A idéia não é roubar, mas sim
morar, inclusive assumindo o papel de proprietário,
consertando as tranqueiras até então quebradas.
É uma ausência como imagem também, uma
vez que sua presença nas casas jamais ultrapassa a
de um espectro.
Mais tarde, ele entrará numa residência cuja
dona apanha do homem que a sustenta. Apaixonam-se e partem
para a rua, como em O Demônio das Onze Horas,
de Jean-Luc Godard, no qual os amantes fogem pelo mundo para
encontrar um projeto existencial e político. No caso
do satisfatório filme de Kim Ki-duk, entretanto, há
também a ausência de algo além do reles
caso de amor do casal.
Casa Vazia carece é de uma outra ausência,
a de um projeto. O longa começa soberbamente, mostrando,
só com imagens, a relação entre homem
e espaço. Logo, ele segue por outro caminho, o das
histórias românticas, e as imagens quase se banalizam
para falar das relações humanas. Talvez porque
falte a Kim Ki-duk, diretor do extraordinário Código
Desconhecido, certa mão para a dramaturgia romanesca.
Ou, quem sabe, um certo traquejo para levar a cabo uma discussão
extremamente cinematográfica, que é esta do
homem tentando seu encaixe no mundo. Construção
satisfatória
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