Entrevista  
Garnero, de paletó e gravata: “Tenho meu Land Rover velhinho, 1999, que adoro. Morei 15 anos nos Estados Unidos. Lá, tive de Ferrari
a Porsche”
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Álvaro Garnero
‘‘Aprecio o dinheiro, mas com simplicidade’’
O empresário estréia programa sobre luxo e estilo na Rede TV! e fala da convivência com xeques árabes, presidentes americanos e jogadores de futebol do Brasil
texto: Claudia Jordão
fotos: Murillo Constantino

Filho do empresário Mário Garnero e da socialite Ana Maria Monteiro de Carvalho, Álvaro Garnero, 37 anos, nasceu no Rio de Janeiro em berço de ouro. Seu pai – fundador do Grupo Brasilinvest, que tem receita anual de R$ 45 milhões –, é um dos brasileiros mais bem relacionados do mundo. Tem uma agenda com 13 mil poderosos telefones, que vão de xeques árabes a ex-presidentes americanos. Seu avô Joaquim Monteiro de Carvalho, o Baby, trouxe a Volkswagen ao Brasil e foi dele o primeiro Fusca fabricado aqui. Um de seus cinco irmãos, Mário Bernardo, circula pelo jet set internacional e namorou a princesa Stephanie de Mônaco.

Formado em administração pela San Diego State e com MBA pela National University, Álvaro cresceu passando as férias no Sul da França e morou durante 15 anos nos Estados Unidos, onde se casou com uma americana e se tornou pai de um menino de 8 anos, Álvaro II (“é assim mesmo, com numeral romano”, diz sua secretária Regina). Hoje, mora com Mário Bernardo, trabalha com o pai e é dono do Café de La Musique, um restaurante badalado em São Paulo. Entre festas, eventos e reuniões de negócios, o celular nunca pára – só durante esta entrevista recebeu mais de uma dezena de ligações. Com uma agenda que conta com quase uma viagem internacional por mês, apreciador das grifes Prada, Armani, Gucci e Ricardo Almeida, ele agora será apresentador de tevê. No sábado 20, à meia-noite, estréia na Rede TV! o Top Report. “Será um programa sobre coisas de que eu gosto, que têm a ver comigo”, diz Álvaro.

Como será o programa?
O Top Report será um programa de variedades, luxo, estilo e arte. Tem de tudo. Fizemos uma entrevista exclusiva com o fundador do Skype, com o chefe Anthony Bordain, do restaurante Les Halles de Nova York, com o presidente da BMW no Brasil, André Carioba e sobre o avião Legacy da Embraer. A Carol (sua namorada, a modelo Caroline Bittencourt) me ajudou com uma pauta bacana na H. Stern, e fez outra fantástica sobre suítes presidenciais. O que estamos fazendo não existe hoje na tevê brasileira. Nós não ficamos comentando muito de preço, falamos mais das histórias por trás.

Será um programa para a classe A?
É um programa para todo mundo, não importa a classe social. Tem muita gente que não tem acesso a esse tipo de coisa, como entrar num avião como o Legacy, que tenho a oportunidade de mostrar. Quero mostrar as coisas belas no mundo. E não é tudo que tenha cifrões. Vamos desde uma pousada em Caraíva (BA) até uma suíte presidencial, de um hotel 5 estrelas.

O que é luxo para você?
Luxo deixou de ser a ostentação da riqueza pessoal. Ostentação está mais para os países árabes. Luxo hoje é o prazer pessoal, como ter um momento para tomar um bom vinho, tirar férias. Tem muita coisa envolvida nisso. Graças a Deus, vim de uma família que sempre me induziu a apreciar o dinheiro, mas com muita simplicidade. Tanto do lado do meu pai quanto do lado da minha mãe, que trouxe grandes coisas para o Brasil, a Volkswagen, a Peugeot, a Ericsson, e sempre na maior simplicidade tratando todo mundo, do motorista de táxi ao presidente da República, igualzinho.

Você falou de carros e avião. São essas suas maiores paixões?
Adoro carros. Curto carros, mas hoje tenho meu Land Rover velhinho, 1999, que eu adoro. Como morei 15 anos nos Estados Unidos, tive a oportunidade de ter vários carros lá, com muita facilidade, porque lá você financia. Tive de Ferrari a Porsche, Mercedes, Land Rover. Trabalhava lá, tinha um crédito enorme, chegava lá e financiava. Todo ano eu trocava de carro. Então, eu matei um pouco dessa minha vontade entre os meus 18 e 34 anos. No Brasil, eu prefiro usar esse meu mesmo.

Por quê?
Eu acho que nos Estados Unidos a inveja é construtiva. Se você vê alguém com um carro ou um avião, você fala: “Vou trabalhar para um dia ter um”. É o american dream. Aqui no Brasil, a inveja tem um pouco daquela coisa, esse cara é ladrão, é isso ou é aquilo. As pessoas têm um pouco de...

Preconceito?
Preconceito. Nos Estados Unidos, a pessoa não tem aquela raiva... Não é bem raiva, é preconceito mesmo. O Brasil está mudando, mas não acho legal ostentar aqui por causa da diferença de classes sociais.