Reportagens  
O escândalo do mensalão
não abalou suas convicções políticas: “Não me decepcionei
com o Lula”, diz ele
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Carreira
O engajado Marcos Winter

O ator começou a trabalhar como metalúrgico e hoje divide seu tempo entre as gravações de Essas Mulheres e a agenda de sua ONG de direitos humanos
texto: Claudia Jordão
foto: Cláudio Gatti
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Há dois meses, o ator Marcos Winter, 38 anos, teve uma agenda diferente da habitual. Não foi para os estúdios da Record, em São Paulo, onde grava a novela Essas Mulheres. Em vez disso, seguiu para o Palácio do Planalto, em Brasília, para uma reunião com o presidente Lula. Acompanhado de membros da ONG Movimento Humanos Direitos, Marcos falou sobre trabalho escravo, prostituição infantil, índios e meio-ambiente. A ONG, da qual é fundador, existe há dois anos e luta, entre outros pontos, pela aprovação na Câmara de uma emenda constitucional que estabelece a desapropriação sem indenização de propriedade rural que tenha trabalhadores escravos. “O Brasil tem de 25 mil a 40 mil pessoas trabalhando em regime de escravidão. Virei para o Lula e perguntei: ‘Meu amigo, se não for você a fazer alguma coisa, quem fará?’ Ele não respondeu, só olhou para mim, concordando”, conta Marcos, também engajado no Movimento dos Sem-Terra (MST).

Metade dos fundadores da ONG são artistas. Entre eles estão Letícia Sabatela, Dira Paes e Leonardo Vieira, que usam a fama para jogar luz em temas espinhosos. “Ele é um entusiasmado, tem as emoções à flor da pele. É comprometido com a condição humana”, diz o ator Paulo Gorgulho, com quem contracena em Essas Mulheres e de quem é amigo desde Pantanal (1990). Apesar de nunca ter se filiado ao PT, Marcos sempre gostou de Lula, a quem apóia desde a primeira campanha presidencial, em 1989. Nem mesmo o escândalo do mensalão mexeu com suas convicções. “Não me decepcionei com
o Lula. Acredito que ele poderia saber como qualquer outra pessoa sabe que esse tipo de coisa existe, mas foi contra e fizeram à revelia dele”, diz.

Filho de um funcionário de uma firma de engenharia e de uma dona de casa, Marcos começou a trabalhar como metalúrgico, fabricando pirâmides esotéricas, na adolescência. “Eu vivia de macacão e graxa, lavava a mão com areia”, lembra. Com determinação, conseguiu pagar a faculdade de Artes Cênicas e se tornou ator. Hoje, com 21 anos de carreira, soma mais de 20 personagens no teatro e na tevê.

Solteiro, de bem com a consciência e realizado no trabalho, tem
como programa preferido estar com a filha Ana Clara e a ex-enteada Maria Luiza que, como ele, moram no Rio. Ana Clara, 7 anos, é fruto do casamento com a atriz Paloma Duarte, de quem se separou em 2003. Maria Luiza, 10, é filha da atriz com o músico Renato Lui,
mas Marcos também se considera pai dela. “Sou muito apegado às minhas filhas. Elas me acompanham desde reunião com ministros
até à coxia do teatro”, conta. “Esses dias cheguei em casa e parecia um acampamento. Eram as minhas filhas e as amiguinhas.
É uma delícia.”