Reportagens  
“Minha casa tinha de ter a minha cara. Aluguei, mobiliei, enchi de porta-retratos com fotos da família e com meus milhares de ursinhos de pelúcia”, diz a modelo
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Ensaio
Daniella faz a América

Sensação da última edição da SP Fashion Week, Daniella Sarahyba fala da carreira no Exterior, onde posou para Victoria’s Secret e GAP, faz um vôo internacional a cada dois dias e conta que teve de amadurecer rápido por causa da morte do pai quando tinha dez anos
texto: Claudia Jordão
fotos: Edu lopes
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“Foi a pior fase da minha vida. Eu saí do Brasil como a Daniella Sarahyba, mas cheguei em Nova York como todas as outras, desconhecida”, diz, sobre a chegada nos Estados Unidos há dois anos
Daniella Sarahyba precisou de cinco quilos a menos e alguns minutos na passarela da Cia. Marítima para virar a sensação da última edição da SP Fashion Week. Defendendo a grife de biquínis que já teve Gisele Bündchen e Daniella Cicarelli como estrelas, a modelo de 1,78m de altura, 56 quilos e 89 cm de busto e quadril foi o corpo
mais aplaudido da temporada paulista de moda. “Adorei a experiência, quero continuar desfilando cada vez mais”, sorri ela, alvo vitorioso da medicina ortomolecular – que a ajudou a perder peso em um mês.
O sucesso não foi mera obra do acaso. Capa de 70 revistas internacionais, Daniella vive um momento profissional especial
no Exterior.

Ela está entre as 18 supermodelos escolhidas para posar para a revista americana Sports Illustrated, uma referência de sucesso lá fora, com tiragem de 25 milhões de exemplares. No total, Daniella fez três ensaios, um deles – o bodypaint (corpo pintado) – levou mais de 13 horas para ser concluído. “Fiquei doze horas de pé tendo o corpo pintado para depois ser fotografada. Tinha tanta dor que tive de tomar remédio. Mas valeu, recebi cartas de fãs do mundo inteiro”, conta. Também fotografou para H&M, para a campanha da Calzedonia (principal marca de moda praia da Itália), da GAP Body (de moda esportiva) e da Banana Republic. “No Exterior, a Daniella é considerada uma das modelos de corpo mais bonito. A imagem dela é vinculada à saúde, por causa da aparência bronzeada”, diz Caíco de Queiroz, seu empresário.

Há dois anos, com 19 anos, ela desembarcou em Nova York com o desejo de milhares de brasileiros: fazer a América. Nutria a vontade, desde criança, de se tornar uma modelo de sucesso, como a alemã Claudia Schiffer e a americana Cindy Crawford – cujas fotos ilustravam seu caderno escolar. Seu maior sonho era ser uma das tops das campanhas da grife de lingerie Victoria’s Secret, sinal de prestígio no universo da moda. Era a primeira viagem sem a companhia da mãe, a ex-modelo Mara Lúcia Sarahyba. Hospedou-se no apartamento da atriz Luana Piovani. Não sabia cozinhar, lavar, passar. Ficou assustada com a imensidão da cidade e teve dificuldade de fazer amizades. Tomava café da manhã, almoçava e jantava sozinha – na maioria das vezes, uma saladinha comprada na esquina. “Ela me ligava aflita, dizendo que estava com medo, que o apartamento ficava no térreo e tinha vidraças que davam para a rua”, lembra a mãe.