6 de março de 2000
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A apoteose de Valéria
Consagrada como símbolo do Carnaval, Valéria Valenssa
estuda canto e piano para deixar de ser a Globeleza em 2001,
quando quer engravidar e virar apresentadora




 


A marca Valéria Valenssa virou um negócio de família. O irmão, Carlos Henrique, 30 anos, é seu empresário há nove anos. Ele já se acostumou com as brincadeiras dos amigos. “Toda hora ouço a frase: ‘Desculpa, Caíque, mas tua irmã é muito gostosa’.” Aprendeu a fazer ouvido de mercador. Agora, está empenhado em lançar o vídeo de 60 minutos em que Valéria Valenssa ensina a dançar, dá dicas de beleza e alimentação. A fita acaba de chegar ao mercado e custa R$ 22. “É bem baratinha”, ela diz. Cláudia Santos, 22 anos, irmã mais nova de Valéria, é seu anjo da guarda, nos cuidados do visual da dançarina. “Cuido da maquiagem até a roupa que ela vai usar nos shows”, explica Cláudia. A mãe está sempre por perto, dando um apoio na administração da casa. Valéria é também irmã de Elaine, 25 anos. Mas seu maior fã é o marido. Hans parece estar em eterno estado de graça ao lado de Valéria. “Ela não é uma gracinha?”, indaga, a cada gesto da mulher.

Foto: André Durão
O casal, que se trata por "Amado" e "Linda" em sua cobertura: "Quero oferecer sua beleza para o mundo, não posso guardar esse monumento em casa

Os dois se conheceram quando ele ainda era marido de Isadora Ribeiro. No primeiro encontro, o alemão criado na Áustria ficara encantado. Mas só na noite do réveillon de 1993 começaram a namorar. Um mês e meio depois, estavam morando juntos no apartamento dele, na Lagoa, zona sul do Rio. Não se desgrudaram mais. Embora não tenham se casado no civil, como ela sonhou um dia. “Quando o conheci, pensei: é um homem assim que quero para mim”, diz Valéria. Até há pouco tempo, filho era tema proibido para o casal. Hans achava que era cedo para ser pai, mas já pensa na hipótese. “Não planejo nada em minha vida, mas se acontecer...”, admite ele. “Quero engravidar no final de 2001, quando estarei com 30 anos”, diz ela. Os dois são adeptos de um estilo de vida simples – mas não muito. Instalados em uma cobertura decorada em branco, com móveis futuristas desenhados por ele, e uma linda vista da Lagoa Rodrigo de Freitas, eles dispensam empregados. Uma faxineira cuida da casa três vezes por semana. Quando é preciso passar roupa, Valéria mete a mão na massa. “Não vejo o menor problema”, diz.

Desde que se casaram, a mulata prepara uma surpresa a cada aniversário do designer. Já alugou um helicóptero para jogar pétalas de rosas sobre a cobertura, encheu o quarto do casal com velas perfumadas, espalhou garrafas de vinho em pontos estratégicos e enfeitou a casa com bolas brancas e prateadas. No ano passado, entrou num curso de dança do ventre três meses antes para se preparar para a data. Também não se esquece de espalhar bilhetinhos apaixonados pela casa e de surpreendê-lo com buquês de flores. “Sou muito fiel, uma amante à moda antiga”, diz Valéria.

Apesar de jurar que não sente ciúmes, Hans já foi capaz de mudar a piscina de sua cobertura de lugar para proteger a mulher, que costuma se bronzear nua, dos olhares curiosos dos vizinhos. “Alguns me espionavam de binóculo”, conta ela. Nem por isso, se intimidaram. Em casa, Amado e Linda, como se tratam na intimidade, andam bem à vontade. Hans completamente nu e Valéria, quando não está nua, fica só de sutiã. “Uso sutiã até para dormir.” Valéria só gosta de roupas justas, curtas e coloridas. Faz concessões aos terninhos para adotar um estilo diferente de vez em quando. Mas não tem a aprovação de Hans. Ele acha que a mulher fica parecendo “um homenzinho”. No armário, tem 180 pares de sapatos. “Tenho mania, adoro”, diz.

Não é à toa que Valéria mantém as mesmas medidas de dez anos atrás: 1,68 metro de altura, 82 centímetros de busto, 60 de cintura e 90 de quadril. Ela acorda às 6h30 todos os dias. Faz musculação e ginástica localizada três vezes por semana e alongamento todos os dias, além de jogar tênis. “Mas não é um sofrimento. Adoro fazer exercícios”, assegura. Essa bateria de ginástica é mantida com um frugal café da manhã, que inclui torradas, queijo branco e geléia, única concessão que faz ao açúcar. Nas outras refeições, ela come de tudo. Aos sábados, não dispensa uma feijoada.

Foto: André Durão

A Globeleza anda pelas ruas da
Pavuna,
no Rio de Janeiro,
onde nasceu e cresceu

A beleza de Valéria é elogiada por algumas de suas concorrentes. “Este ano, ela está mais bonita do que nunca”, elogia Luiza Brunet, 37 anos, madrinha da bateria da Imperatriz Leopoldinense. Mas sua plástica também desperta ciúmes. Valéria, que desfilará na Caprichosos de Pilares e na União da Ilha, foi vetada como passista da Viradouro. A dona do veto seria Luma de Oliveira, 35 anos, madrinha da bateria. Luma nega: “Valéria é muito bonita. Nunca tive problemas com ninguém.”

Isadora Ribeiro confessa ter restrições a Valéria. “Ela é mentirosa, disse que eu a chamei de perua”, dispara. Para Isadora, perua é uma mulher que tem dinheiro e que anda coberta de jóias, mas diz que esse não é o caso da musa do Carnaval. “Não posso ser amiga de uma pessoa aquele nível”, alfineta. Valéria é mais reservada: “É, não somos amigas”. Enquanto se prepara para deixar o posto de Globeleza, Valéria desenha seu futuro. Quer ser cantora. Faz aula de canto há um ano e aprende a tocar iano. Acha que não vai decepcionar. “Ela é determinada quando cisma com uma coisa”, diz sua mãe.

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