6 de março de 2000
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A apoteose de Valéria
Consagrada como símbolo do Carnaval, Valéria Valenssa
estuda canto e piano para deixar de ser a Globeleza em 2001,
quando quer engravidar e virar apresentadora






Rosângela Honor

Fotos: André Durão
Valéria em sua cobertura, onde se bronzeia nua: Hans Donner mudou a posição da piscina para que ela pudesse ficar mais à vontade

Aos 8 anos, Valéria Conceição Santos pegava as sandálias de salto e as roupas da mãe e corria para a frente do espelho do quarto. Ali passava horas imitando os gestos e as coreografias das chacretes. Enquanto dançava, alimentava a ilusão de algum dia se tornar uma dançarina famosa. Passados 20 anos, a garota nascida na Pavuna, subúrbio do Rio, se transformou na mulata mais conhecida do País desde que passou a ostentar, há sete anos, o título de Globeleza, marca da vinheta da Globo no Carnaval.

Casada há sete anos com o designer gráfico Hans Donner, 51 anos, mago dos efeitos especiais da Rede Globo, Valéria Valenssa, 28, se prepara para alçar novos vôos assim que abandonar o posto, no ano que vem, quando vence seu contrato. Pretende lançar cosméticos com seu nome específicos para consumidoras da raça negra, uma linha de jóias e uma boneca – além de sonhar com o comando de um programa de variedades voltado para os interesses dos negros. Valéria sempre foi obstinada. Surpreendeu os pais, a dona-de-casa Vera Lúcia Santos, 51 anos, e o contador Carlos Alberto Santos, 59, quando, aos 12 anos, se matriculou num curso gratuito de modelo e manequim do Liceu de Artes e Ofícios, no centro da cidade. Aos 15 anos, inscreveu-se no curso de Monique Evans e começou a participar de desfiles, fazer figurações em comerciais e em clipes do Fantástico. “Sempre que precisavam de uma negra, lá estava eu”, lembra ela. Não foi fácil. Nos bastidores dos desfiles e gravações, ela ouvia a mesma frase de suas colegas, na maioria loiras e de olhos azuis. “Se prepara: para as negras tudo é mais difícil”, alertavam.

Mas ela não desistia. Inscrevia-se em todos os concursos de beleza e vencia muitos deles. “Já estava me acostumando a ganhar”, lembra. Mas foi uma derrota, no concurso Garota de Ipanema, que acabou lhe abrindo o caminho para o sucesso na televisão, em 1990. A graça e a leveza ao sambar lhe renderam o convite de Hans Donner, jurado do concurso, para estrelar a vinheta de Carnaval da Globo naquele ano. “Ela já demonstrava uma elegância impressionante ao dançar”, derrete-se Hans, na época casado com a atriz Isadora Ribeiro.

A modelo e dançarina foi vetada na Viradouro, mas desfila na Caprichosos de Pilares e na União da Ilha

A sorte, que até então fora sua aliada, começou a lhe pregar peças. Valéria não foi chamada para as vinhetas de 1991 e 1992. Como o orçamento familiar apertou, foi trabalhar no departamento de telemarketing do jornal O Globo, onde permaneceu quatro meses, e depois na loja de departamentos C&A. Até o dia em que foi surpreendida por um telefonema da produção de Hans Donner. Passou por um verdadeiro duelo. Teve que disputar o posto com Patrícia Santos, candidata do diretor Aloysio Legey. O impasse foi decidido pelo então vice-presidente executivo da Globo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. “Parecia uma disputa entre Mike Tyson e Mohamed Ali”, exagera Hans.

Valéria Valenssa é contratada da Globo há quatro anos. Até então, ela só ganhava pelas aparições feitas durante o período de Carnaval. O quadro mudou quando passou a estrelar alguns comerciais. Foi quando recebeu ma ordem da emissora de que não poderia ter sua imagem desvinculada da Globeleza. Conversou com Boni e acabou sendo contratada. De janeiro a março, a agenda de Valéria fica lotada. A cada apresentação, seu cachê varia de R$ 8 mil a R$ 12 mil. Já se apresentou em Paris, naCopa do Mundo de 1998, convidada por Joãosinho Trinta, e em Portugal, no ano passado. Uma vez ofuscou Hans Donner num programa da tevê austríaca. No Brasil, já esteve em Parintins (AM) e faz aparições em carnavais fora de época. Apesar de se apresentar nua, o máximo que já ocorreu foi alguém se aproximar e pedir um beijo no rosto. O marido não se importa: “Quero oferecer a beleza dela para o mundo. Não posso guardar esse monumento em casa”, diz Hans. Em sete anos, ela comprou um apartamento para a mãe, na Lagoa, e um para o pai, em Jacarepaguá. Quer adquirir a casa onde morou na Vila Valqueire.

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