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Por onde anda
Cacique Juruna
longe do poder
O único índio que virou deputado vive doente
num casebre no Guará I, cidade-satélite de Brasília
André Barreto
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Foto:Roberto Jaime
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“Fui
infeliz e vou morrer infeliz”, diz Juruna,
prostrado em seu quarto, onde passa a maior
parte do tempo deitado.
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Triste, infeliz
e esquecido. É assim que se sente hoje o ex-deputado federal Mário
Juruna, único índio na história brasileira a assumir um mandato
no Congresso Nacional, pelo PDT. Aos 60 anos, ele vive em um casebre
no Guará I, cidade-satélite de Brasília. Ganha R$ 3 mil como secretário
do partido. O dinheiro é utilizado para sustentar 15 pessoas, entre
filhos e netos, que dividem o mesmo teto.
Mas Juruna, na
prática, não exerce sua função. Ele tem apenas um rim funcionando
e está condenado a uma cadeira de rodas por causa de uma cirurgia
que extraiu parte do fêmur infeccionado. Passa a maior parte do
tempo deitado na cama, onde exala seu descontentamento com o presidente
Fernando Henrique Cardoso, ex-companheiro de tribuna. “Esse presidente
é um cínico. Seria melhor que continuássemos no regime militar”,
desabafa. Juruna foi eleito deputado federal e cumpriu mandato de
1983 a 1987.
Como parlamentar,
criou a Comissão do Índio. Irreverente, chamava dinheiro de “lixo”
e jamais conversava com uma autoridade sem a companhia de um gravador,
para não correr o risco de ser chamado de mentiroso. Foi fundamental
na eleição de Tancredo Neves, em 1985, ao denunciar a tentativa
de compra de voto, feita por Calim Eid, tesoureiro de Paulo Maluf.
Decepcionado, acha que seu trabalho em favor de seu povo foi em
vão. “Já sofremos demais. Fui infeliz e vou morrer infeliz”, diz.
O primeiro contato
que o xavante teve com um branco foi aos 17 anos. Queria aprender
com o “tal povo civilizado” e foi estudar em uma missão religiosa.
Não falava português, mas ainda assim pediu permissão para sair
da escola e trabalhar na cidade. Quando retornou à aldeia, em 1964,
foi recebido com a ira do padre que catequizava os índios. Chegou
a ser expulso da tribo, mas continuou na luta.

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