6 de março de 2000
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Crônica

Trilogia Suja de Havana
Jogos e sexo na literatura de Gutiérrez, o Bukowsky cubano

Antonio Querino Neto

Repleta de sinceridade e sem nenhum artificialismo, a obra de Pedro Juan Gutiérrez é considerada uma das mais instigantes na atual literatura cubana. Trilogia Suja de Havana (Companhia das Letras, 360 págs., R$ 29,50), sua primeira obra em prosa, reúne histórias que edificam um painel desbocado e sem pudor de Cuba nos anos 90. Todas são vividas por um alter-ego do autor, também chamado de Pedro Juan, um ex-jornalista de 44 anos “sem trabalho, sem filhos e sem mulher fixa”. Protótipo do macho tropical, ele habita um velho prédio de Havana ao lado de outros miseráveis. Outsider, Pedro faz sexo alucinadamente com as mais variadas parceiras e vive de pequenos bicos.

Entre uma impossível busca de paz interior e a solidariedade aos amigos ex-presidiários, doentes e suicidas, ele se dedica a infinitas orgias regadas a muito rum. A fome e a escassez estão em todos os episódios, mas em nenhum momento o livro é amargo. O texto de Gutiérrez – que foi soldado, vendedor de sorvetes, cortador de cana, instrutor de natação e locutor, além de jornalista – transborda uma intensa crença no poder do erotismo livre e desenfreado. Construindo a sua interpretação de uma ilha pobre materialmente, mas rica em desejo, o autor tem sido comparado a Charles Bukowski e Henry Miller, escritores autobiográficos e carnais por excelência.

Temas como jogos clandestinos, o comércio da maconha, as filas e o êxodo para Miami aparecem no relato do autor, descrente do amor e da Revolução. Libertário, ele não poupa o autoritarismo do regime de Fidel. Ao flagrar sem lamentos uma sociedade que tem mergulhado num terrível “salve-se quem puder”, o escritor mostra também a colorida e visceral sobrevivência de Cuba, com seus santos, vícios e ritmos “calientes”.

Malandragem à moda cubana.
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