6 de março de 2000
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Antologia

Cartas do Coração
Seleção de correspondências traça cartografia do amor

Luiz Octávio de Lima Camargo

A carta de amor é um dos gêneros literários que mais exige projeção da intimidade. Mas registrar qualquer confidência no papel, de próprio punho, obriga a escolher as palavras, inibe, constrange. Por isso, imagina-se, a princípio, que uma seleção de cartas de amor pouco revele dos mistérios da vida amorosa.

Cartas do Coração – Uma Antologia do Amor (Rocco, 268 págs., R$ 34), da jornalista Elisabeth Orsini, mostra que não é bem assim! É certo que boa parte dos missivistas são naturalmente recatados (Machado de Assis a Carolina, Dom Pedro II à Condessa de Barral, para citar apenas dois exemplos). E a maior parte das cartas passa longe da alcova (inclusive porque algumas falam do amor de e para pais e filhos, irmãos, amigos). Mas o livro se revela uma cartografia completa do sentimento amoroso, sobretudo na sua interação com outros sentimentos: amizade, agressividade, paixão platônica, luxúria etc. E não deixa de ser interessante verificar que Henry Miller mantém a forma, mesmo após a doença que o afastou de sua antológica fome sexual, ou a linguagem terna e paternal de Mozart para a sua Constanze, de Napoleão a Josephine e a resposta realista e consciente de Jeanne Bécu (posteriormente Condessa du Barry) a um admirador.

Algumas surpresas: a linguagem lúbrica de Emma Goldman. Era uma anarquista, é bem verdade, mas, mesmo respeitando os códigos vitorianos, sua portentosa imaginação transformava-se em linguagem sem nenhuma inibição. E, numa época em que havia apenas luxúria, principalmente homossexual, como imaginar que o romano Plínio, o Jovem, usaria de uma linguagem tão terna e apaixonada para a sua Calpúrnia!

 

Suspiros d’alma
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