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Rock/Reggae
Who You Fighting For?
Depois de mais de uma década de trabalhos insossos, o grupo inglês UB40 dá a volta por cima em disco criativo e que traz viés político explícito
José Flávio Júnior
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O octeto redescobriu o prazer da criação em conjunto para gravar o novo CD

Aos olhos da crítica, o UB40 estava há mais de uma década sem lançar um álbum decente. Desde os anos 90, o grupo vinha apostando em releituras insossas de hits dos primórdios do rock: adicionava um andamento reggae, mandava para as FMs e esperava a grana cair no banco. Surpreendentemente, a trupe do vocalista Ali Campbell resolveu abandonar a fórmula em Who You Fighting For?.

Não chega a ser um disco revolucionário. O clássico chacundum jamaicano serve de base para as canções, mas sem aqueles elementos eletrônicos “modernizantes”. Oito delas foram escritas, arranjadas e produzidas por todos os integrantes. O octeto inglês descolou um estúdio ao ar livre em Birmingham e redescobriu o prazer da criação em conjunto. Sente-se a empolgação da rapaziada em músicas como “Sins Of The Fathers” e “Bling Bling”. O disco ainda tem um viés político, explícito nos protestos antiguerra da faixa-título e de “War Poem”.

Claro que o UB40 não deixaria de regravar algum material alheio e na seara reaggueira isso não é nenhum crime. Mas o mais bacana é que eles não optaram pelo caminho mais fácil. Dos Beatles, escolheram “I’ll Be On My Way”, que Lennon e McCartney deram de presente para um obscuro cantor. Pouca gente vai reconhecê-la (a gravação mais famosa está no Live At BBC, dos Beatles). E a primeira música de trabalho, “Kiss And Say Goodbye”, lançada pelos Manhattans, aparece só no finzinho do CD. Empolgação readquirida