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Desenho animado

O Castelo Animado
Novo longa-metragem de Hayao Miyazaki, o diretor de A Viagem de Chihiro, funciona como espetáculo e ocidentaliza os personagens japoneses

Marcelo Lyra

Divulgação
Animação mostra jovem transformada em velha
por um feitiço

Quem gostou de A Viagem de Chihiro, certamente não
irá se decepcionar com o novo longa de animação do diretor Hayao Miyazaki, O Castelo Animado. O desenho trabalha um cuidadoso universo de cores e uma complexidade visual, não apenas como espetáculo, mas em função da narrativa. Se em Chihiro a protagonista precisava crescer e amadurecer, aqui temos o caminho oposto. Uma jovem chapeleira é transformada em velha por uma feiticeira ciumenta e parte numa odisséia em busca da juventude perdida.

Miyazaki é considerado um dos maiores diretores de animação do Japão, mas está cada vez mais ocidentalizado, provavelmente pelo interesse dos produtores em conquistar os mercados europeu e americano. Não que isso seja novidade. Personagens japoneses sem olhos puxados já são tradição desde os tempos do velho Speedy Racer. Mas o que se vê nas telas é quase uma Babel. O roteiro é baseado num clássico da literatura infantil inglesa e o figurino é europeu. A ambientação identificável acontece em Paris, as naves que cortam os céus lembram os dirigíveis alemães e os personagens tomam café da manhã com ovos e bacon, à maneira dos americanos. Chega a ser engraçado que falem japonês.

O caleidoscópio de pátrias combina com o conceito de tempo e espaço da trama que é bem embaralhado e reforça a fantasia. Há um leve clima poético, pontuado por um divertido senso de humor, graças aos personagens Calcino e o cachorro asmático. É um desenho para adultos que não vai desagradar as crianças. Caleidoscópio de pátrias