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| Animação
mostra jovem transformada em velha
por um feitiço |
Quem gostou de A Viagem de Chihiro, certamente não
irá se decepcionar com o novo longa de animação
do diretor Hayao Miyazaki, O Castelo Animado. O desenho
trabalha um cuidadoso universo de cores e uma complexidade
visual, não apenas como espetáculo, mas em função
da narrativa. Se em Chihiro a protagonista precisava crescer
e amadurecer, aqui temos o caminho oposto. Uma jovem chapeleira
é transformada em velha por uma feiticeira ciumenta
e parte numa odisséia em busca da juventude perdida.
Miyazaki é considerado um dos maiores diretores de
animação do Japão, mas está cada
vez mais ocidentalizado, provavelmente pelo interesse dos
produtores em conquistar os mercados europeu e americano.
Não que isso seja novidade. Personagens japoneses sem
olhos puxados já são tradição
desde os tempos do velho Speedy Racer. Mas o que se vê
nas telas é quase uma Babel. O roteiro é baseado
num clássico da literatura infantil inglesa e o figurino
é europeu. A ambientação identificável
acontece em Paris, as naves que cortam os céus lembram
os dirigíveis alemães e os personagens tomam
café da manhã com ovos e bacon, à maneira
dos americanos. Chega a ser engraçado que falem japonês.
O caleidoscópio de pátrias combina com o conceito
de tempo e espaço da trama que é bem embaralhado
e reforça a fantasia. Há um leve clima poético,
pontuado por um divertido senso de humor, graças aos
personagens Calcino e o cachorro asmático. É
um desenho para adultos que não vai desagradar as crianças.
Caleidoscópio de pátrias
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